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Energia varia até 2.000% em um dia; há fatores artificiais?

Oscilação diária de preços de energia entre cinquenta e sete e um mil seiscentos e onze reais por megawatt-hora inaugura debate sobre o modelo de cálculo e seus impactos no mercado

Preços de energia variam 2.000% num mesmo dia. Tem algo artificial?
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  • Os preços no mercado de curto prazo de energia passaram de R$ 57/MWh pela manhã para R$ 1.611/MWh no fim da noite de terça-feira, variação de cerca de 2.700%.
  • Ganhadores incluem hidrelétricas com parte da capacidade descontratada, como AXIA Energia e Copel, que vendem na hora de pico; usinas solares produzem mais durante o dia e param à noite, quando as cotações sobem.
  • Comercializadoras enfrentam dificuldades, com algumas quebrando ou reduzindo operações de trading; a Tradener iniciou mediação com credores.
  • Especialistas apontam que mudanças no modelo de cálculo de risco, em 2025, elevaram o preço de curto prazo, ainda que visem segurança energética; há debate sobre o uso do CVaR (medida de risco).
  • A definição dos parâmetros ocorre em grupo técnico com decisão do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), ligado ao Ministério de Minas e Energia, com possível efeito a partir do próximo ano.

O mercado de energia de curto prazo registrou variação expressiva ao longo desta terça-feira: o preço chegou a 57 reais por MWh pela manhã, dentro do piso regulatório, e atingiu 1.611 reais/MWh às 19h, um salto de cerca de 2.7 mil por cento. A oscilação acentuada reacende questionamentos sobre o funcionamento do sistema de formação de preços.

Operadores, geradoras e comercializadores apontam que o modelo atual favorece energia com maior valor agregado em momentos de pico e reduz a liquidez no mercado spot. A adoção de parâmetros de risco mais elevados desde 2025 é apontada como parte do motivo da volatilidade.

Contexto técnico

Especialistas apontam que a expansão de fontes renováveis, como parques eólicos e solares, aumenta a geração durante o dia, com queda à noite. A energia solar em telhados, sustentada por subsídios, intensifica o excesso diurno, exigindo termelétricas caras para atender a demanda noturna.

Desdobramentos de mercado

Empresas com uso intensivo de hidrelétricas com capacidade descontratada aparecem entre as principais ganhadoras em picos de preço. Operadores de usinas solares enfrentam maior dificuldade, pois produzem pouco ou nada no período noturno, quando as cotações sobem.

Desafios para o setor

Grupo de trabalho técnico discute parâmetros de cálculo, com decisão final do CMSE, ligado ao Ministério de Minas e Energia. Mudanças, se aprovadas, passam a vigorar no ano seguinte. Como consequência, algumas vésperas de contratos de longo prazo sofrem reajustes.

Reações do mercado

Fontes do setor destacam dificuldades para as comercializadoras, que enfrentam riscos e, em alguns casos, queda de liquidez. Relatos indicam que empresas do segmento chegaram a renegociar créditos ou reduzir operações de trading.

Observações finais

Analistas avaliam que o comportamento do preço reflete uma combinação de fatores técnicos e regulatórios. A avaliação de risco usada pelos modelos pode estar contribuindo para preços mais altos em momentos de demanda elevada, mesmo quando há oferta suficiente durante o dia. O Ministério acompanha o tema e espera resultados do CMSE.

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