- Entrada de estrangeiros fez as small caps operarem a cerca de 9,31 vezes os lucros nos próximos 12 meses, contra 9,41 do Ibovespa.
- É a primeira vez em mais de seis anos que as small caps não apresentam prêmio claro frente às large caps.
- Fluxos externos somaram mais de R$ 50 bilhões em ações brasileiras no primeiro trimestre, o maior volume para esse período desde 2022.
- Os recursos foram majoritariamente para blue chips, incluindo produtoras de commodities e instituições financeiras, com a possibilidade de as small caps se beneficiarem com a queda de juros.
- O Ibovespa subiu 15% neste ano, enquanto o índice Small Cap avançou 4,2%, sinalizando que o recuo de prêmio pode se reduzir com novos cortes da taxa básica.
O ingresso maciço de capitais estrangeiros nos mercados brasileiros deixou as small caps, ações de menor capitalização, em patamar de desconto frente ao Ibovespa pela primeira vez em quase sete anos. A diferença reflete uma avaliação de 9,31 vezes os lucros nos próximos 12 meses para as small caps, ante 9,41 para o Ibovespa.
A comparação de valuation indica que as ações de menor porte passaram a ser negociadas sem prêmio claro em relação às grandes companhias. Trata-se de movimento inédito há mais de seis anos, conforme dados compilados pela Bloomberg.
Esse recuo relativo das small caps vem acompanhando influxos estrangeiros superiores a 50 bilhões de reais em ações brasileiras nos três meses até março, o maior volume para um primeiro trimestre desde 2022. Os recursos avanram principalmente para companhias de grande capitalização, entre elas produtoras de commodities e financeiras.
Com o cenário de juros em trajetória de queda após o BC reduzir a taxa em março, há expectativa de recuperação para as small caps. Investidores internacionais teriam acelerado a rotação para papéis domésticos, abrindo espaço para uma recomposição de valuation.
Segundo gestores, o viés de alta de juros reduz o apelo relativo das ações de maior porte no curto prazo, enquanto as small caps podem se beneficiar de uma retomada de demanda doméstica e de lucros, com melhora de valuation em relação ao Ibovespa.
O Ibovespa cedeu parte da vantagem no ano, mas ainda registra desempenho superior ao das small caps, que avançaram menos de 5% no período. Analistas destacam que a volatilidade global e a precificação diferencial continuam a moldar o fluxo de capitais.
O movimento observado indica que investidores estrangeiros priorizam ações com maior liquidez e exposição internacional, descolando o comportamento relativo das pequenas empresas. A expectativa é de que novas reduções de juros mantenham o cenário favorável para a rotação setorial.
Texto produzido com base em dados da Bloomberg.
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