- A Aço Verde do Brasil aposta na floresta como ativo para reduzir emissões e tornar o aço mais competitivo globalmente, conectando biotecnologia, insumos e produção.
- A empresa já opera com biocarbono proveniente de biomass, principalmente eucalipto, para substituir o carvão mineral na siderurgia, reduzindo a pegada de carbono.
- O estoque florestal da AVB equivale a cerca de sete anos de consumo, reduzindo riscos operacionais e aumentando previsibilidade de custos.
- Em 2024 a AVB produziu 1,5 milhão de mudas em testes; em 2023 foram cerca de 6 milhões, com meta de 12 milhões nos próximos anos, além de investir R$ 50 milhões em viveiro e biotecnologia.
- Certificado pelo selo PEFC em manejo florestal no Maranhão, a AVB contempla hoje aproximadamente 60% de suas áreas no estado com a certificação, com a meta de 100% o quanto antes.
A Aço Verde do Brasil (AVB) mantém o impulso em uma estratégia pouco comum no setor: conectá-la integralmente à floresta. O objetivo é reduzir a emissão de carbono e, ao mesmo tempo, preservar previsibilidade de custos e competitividade global. A empresa completou dez anos de operação e aposta na floresta como ativo estratégico.
O biocarbono substitui o carvão mineral no processo siderúrgico, capturando carbono de forma renovável ao longo do ciclo. A AVB cultiva madeira de eucalipto, que absorve CO₂ na fase de crescimento e, ao se transformar em biocarbono, devolve carbono à atmosfera de forma biogênica. O ciclo é contínuo, com reflorestamento para repor a biomassa.
Monitoração e controle da cadeia
Segundo Ricardo Carvalho, acionista, o estoque florestal atual equivale a cerca de sete anos de consumo, garantindo flexibilidade para ajustes conforme o ciclo de mercado. O controle da base de fornecimento do biocarbono assegura sustentabilidade, qualidade e competitividade de custos.
A empresa destaca que a intensidade de carbono é um diferencial: enquanto a média global da siderurgia fica em 1,89 t de CO₂ por t de aço, a AVB opera em aproximadamente 0,02 t. Esse desempenho resulta de anos de desenvolvimento de clones de eucalipto adaptados ao regional.
Investimentos e inovação
O grupo investiu na criação de um viveiro próprio com aporte de cerca de R$ 50 milhões, voltado a melhoramento genético, biotecnologia e infraestrutura florestal no sul do Maranhão. Em 2024, foram produzidas 1,5 milhão de mudas em testes; em 2023, aproximadamente 6 milhões, com meta de 12 milhões nos próximos anos.
A AVB também avança em bioinsumos por meio de uma biofábrica e testa irrigação com água residual rica em nutrientes, buscando aumentar o rendimento e reduzir fertilizantes e defensivos. A promessa é de ganhos de eficiência na produção de biocarbono nos próximos dois anos.
Impacto social e certificação
Ainda no campo social, cerca de 80% da força de trabalho do viveiro é formada por mulheres, uma meta voluntária da companhia para ampliar inclusão e capacitação. A AVB já conquistou o selo PEFC para manejo florestal no Maranhão, cobrindo hoje cerca de 60% das áreas do estado, com a meta de alcançar 100% em breve.
A decisão de estruturar a operação a partir de um modelo florestal integrado remonta a 2008, com a construção de uma usina integrada à cadeia. A unidade de Açailândia, inaugurada em 2015, foi planejada para operar com biocarbono e reaproveitamento energético desde o início.
Perspectivas
A AVB afirma que há espaço para avanços adicionais no ecossistema. A prioridade é consolidar e ampliar o modelo que conecta floresta, biocarbono e siderurgia de baixa emissão, mantendo o foco em eficiência, sustentabilidade e competitividade global.
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