- Antonio Garcia deixa a Embraer para assumir como CFO da Azul, no lugar de Alex Malfitani, que deixa o cargo no próximo dia 20 após dezoito anos na empresa.
- A troca ocorre em meio ao retorno da Azul ao mercado após sair do Chapter 11, com as conversas para contratação de Garcia ocorrendo no último mês.
- A Azul reduziu dívidas em US$ 6,7 bilhões e diminuiu passivos de arrendamento de aeronaves em quase R$ 10 bilhões desde o início da reestruturação.
- A empresa realizou aumento de capital de R$ 5 bilhões em fevereiro, com a United Airlines como âncora, e a alavancagem caiu de 4,8x para 2,5x em fevereiro.
- Garcia chega à Azul com experiência na Embraer, vista como favorable para a reestruturação financeira da companhia; o mercado aponta desafios estruturais para a Azul e demanda estável para a Embraer.
Antonio Garcia deixa a Embraer para assumir o cargo de CFO da Azul, ocupando a vaga deixada por Alex Malfitani, que deixará a empresa no próximo dia 20 após 18 anos na Azul. A transição ocorre no momento em que a Azul trabalha para avançar seu plano de reestruturação após sair do Chapter 11.
Malfitani, um dos fundadores da Azul, sinalizou anteriormente a intenção de sair após a conclusão da reestruturação. As discussões para a contratação de Garcia ocorreram no último mês, e a transição foi coordenada para ocorrer apenas após a empresa se estabilizar.
Ações da Azul avançaram cerca de 1% no início da tarde, refletindo o andamento da operação de saída do processo emergencial.
O perfil de Garcia
Garcia ingressou na Embraer em 2020, após uma década como CFO da Thyssenkrupp. Na Embraer, liderou a reestruturação financeira durante a pandemia e a renegociação de contratos após o cancelamento da venda para a Boeing. Analistas veem nele um gestor capaz de conduzir a Azul na fase de reestruturação.
Para o mercado, a troca de CFOs ocorre em um momento desafiador para a Azul e com leituras distintas entre Azul e Embraer. A Embraer mantém sua tese de investimento, com demanda sólida e backlog próximo do vendido até o fim da década.
Impactos e perspectivas
Na Azul, o desafio é estrutural: recuperação do setor aéreo permanece incerta e a companhia busca gerar caixa e reduzir a alavancagem sem acelerar demais o ritmo de expansão. A troca de CFOs é vista como relevante para a estratégia financeira no médio prazo.
A Azul concluiu, durante o processo de reestruturação, redução de dívidas em US$ 6,7 bilhões e diminuição de passivos de arrendamento de aeronaves em quase R$ 10 bilhões. Além disso, houve aumento de capital de R$ 5 bilhões com a United Airlines como âncora.
A dívida líquida da Azul recuou, levando a alavancagem de 4,8x no último trimestre de 2024 para 2,5x em fevereiro deste ano. A repactuação de encomenda de jatos E195-E2 com a Embraer já havia sido concluída, com redução de 51 para 25 unidades.
Expectativas para o futuro
O novo CFO assume uma Azul que encerrou o Chapter 11 e pretende manter o foco em geração de caixa e disciplina de capital. A nomeação é vista como parte de um esforço para manter a empresa estável durante a fase de recuperação.
Para a Embraer, a saída de Garcia não altera a visão de demanda e o ciclo de pedidos, que permanece favorável. A relação entre as empresas é marcada por parceria estratégica de longo prazo, com impacto indireto na demanda de aviação regional.
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