- O FMI alerta que a tokenização de ativos pode acelerar crises financeiras ao reduzir o tempo de reação de autoridades, bancos centrais e participantes do mercado.
- Com liquidação quase instantânea e operação 24 horas por dia, a tecnologia pode eliminar amortecedores de estresse, tornando as respostas mais rápidas porém mais frágeis.
- Stablecoins são apontadas como fragilidades estruturais; mesmo lastreadas, dependem de emissores e de liquidez de títulos públicos para honrar resgates, o que exige salvaguardas adicionais.
- O FMI revela três cenários para o mercado tokenizado: sistema coordenado com moedas digitais de bancos centrais, mosaico nacional compatível ou domínio de stablecoins privadas; propõe cinco pilares regulatórios para mitigar riscos.
- Em tom de alerta, o relatório destaca avanços norte-americanos, com plataformas de valores mobiliários tokenizados ganhando suporte regulatório, e aponta que o valor on‑chain de ativos do mundo real tokenizados é de cerca de US$ 27,65 bilhões, enquanto o mercado de stablecoins ronda US$ 299 bilhões.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou que a tokenização de ativos pode acelerar crises financeiras, ampliando riscos sistêmicos. O alerta foi divulgado em um relatório assinado por Tobias Adrian, conselheiro financeiro do FMI. O documento aponta que a inovação não é apenas eficiência, mas uma mudança estrutural na arquitetura financeira.
Segundo o FMI, a tokenização transforma ativos em tokens com liquidação quase instantânea, eliminando fricões que atuam como amortecedores em momentos de estresse. A liquidação rápida, com automação, reduz o tempo disponível para intervenção de autoridades e instituições financeiras durante crises.
O relatório destaca que mercados operam 24/7 e que chamadas de margem automatizadas reduzem o espaço para atuação de bancos centrais. Em ambientes tokenizados, o colchão para reagir ao risco tende a desaparecer, aumentando a volatilidade em momentos de estresse.
Riscos estruturais também aparecem com as stablecoins. O FMI compara esses ativos a fundos de mercado monetário, fortes em tempos estáveis, mas vulneráveis a corridas de resgate quando a confiança se rompe. Mesmo stablecoins lastreadas enfrentam limitações de liquidez e de resgate.
Para mitigar falhas, o FMI recomenda salvaguardas de infraestrutura com liquidez adicional e margens mais conservadoras. O crédito tokenizado ainda é pouco difundido, em parte pela dificuldade de avaliação de crédito pela própria natureza das blockchains.
O FMI aponta dúvidas legais: registros distribuídos geram incerteza sobre legislação aplicável, localização de ativos e tratamento de insolvenzias. A instituição vê necessidade de resolver esses aspectos para ampliar a tokenização como infraestrutra financeira.
O relatório descreve três cenários para o mercado: um sistema coordenado por moedas digitais de bancos centrais; um mosaico de plataformas nacionais; ou domínio de stablecoins privadas. O FMI propõe cinco pilares: liquidação segura, regulação equivalente, segurança jurídica, interoperabilidade e adaptação dos bancos centrais.
Além disso, o FMI observa aceleração institucional nos EUA, com negociações sobre plataformas de ativos tokenizados entre a NYSE e a Securitize, e aprovações regulatórias da Nasdaq para ações tokenizadas. No fim de 2025, a DTCC recebeu autorização para piloto de tokenização de ativos custodiados.
Em termos de mercado, o FMI aponta que o valor tokenizado on-chain permanece relevante, com ativos do mundo real estimados em bilhões de dólares. O relatório destaca o tamanho ainda pequeno frente ao sistema financeiro global, mas suficiente para atrair atenção regulatória.
Para economias emergentes, o FMI ressalta riscos adicionais: stablecoins lastreadas em dólar podem acelerar a substituição de moedas locais, especialmente onde as moedas domésticas são fracas. O aviso reforça a necessidade de medidas regulatórias compatíveis com a inovação.
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