- Fim da escala 6 X 1 e redução da jornada semanal no Brasil podem atingir 31,5 milhões de trabalhadores formais.
- Pequenas empresas devem sentir o impacto com aumento de custos e necessidade de reorganização, já que concentram 52% do emprego formal.
- A proposta em debate no Congresso prevê reduzir o teto de 44 para até 36 horas semanais.
- Comércio e serviços concentram a maior parte dos trabalhadores com jornadas longas; varejo tem 93% e atacado 92% dos contratos acima de 40 horas.
- O perfil dos mais atingidos envolve trabalhadores de menor renda e qualificação, com maioria de mulheres em jornadas longas; mudanças exigiriam ajustes e políticas de apoio a pequenas empresas.
O fim da escala 6 X 1 e a redução da jornada semanal no Brasil podem afetar 31,5 milhões de trabalhadores formais, segundo estudo do Instituto Esfera. A pesquisa aponta maior impacto em pequenas empresas, que concentram 52% do emprego formal.
O estudo intitulado A Reconfiguração da Jornada de Trabalho no Brasil: Perspectivas e Impactos Socioeconômicos foi coordenado por Fernando Meneguin e teve leitura exclusiva pelo Poder360. O relatório completo está disponível em PDF.
A média salarial entre os trabalhadores que atuam nesta jornada é de 2.627 reais, com predomínio de mulheres. Segundo o documento, a mudança pode gerar reajuste inflacionário, aumento de custos para empresas e desemprego.
O material releva que a proposta envolve principalmente trabalhadores com jornadas superiores a 40 horas semanais, exigindo reestruturação ampla de escalas, especialmente nos setores de comércio e serviços. A última redução ocorreu na ordem de 48 para 44 horas na década de 1980.
Meneguin contextualiza que, naquela época, o país vivia hiperinflação e uma economia mais fechada, o que difere do cenário atual, com produtividade estagnada e gargalos de qualificação. O autor afirma que isso dificulta absorção de novos trabalhadores pelo mercado.
A projeção aponta que a medida impacta o núcleo do mercado formal, não apenas nichos. A transição exigiria reorganização significativa de escalas, sobretudo em empresas com operação contínua e baixa automação, comum em serviços.
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