- Banco Central mantém sigilo de oito anos sobre documentos de liquidação do Banco Master, conforme regra de 2018 assinada pelo CMN, com prazo até 2033.
- O presidente do BC, Gabriel Galípolo, afirmou à CPI do Crime Organizado que o rito estrito é necessário para evitar questionamentos futuros.
- O fundador do Master, Daniel Vorcaro, está preso pela segunda vez desde 4 de março; ele é investigado por corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos, e negocia delação premiada com PF e PGR.
- Em 2025, o BRB adquiriu ativos do Master avaliados em 12,2 bilhões; o banco compra pesado balanço sem divulgação, elevando incertezas sobre seu futuro e a eventual liquidação.
- O Master causou rombo de quase 52 bilhões no Fundo Garantidor de Créditos e gerou prejuízos de quase 2 bilhões para estados e municípios; investigações ocorrem pela CGU e pela Polícia Federal.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quarta-feira 8 de abril de 2026 que o sigilo de oito anos imposto aos documentos de liquidação do Banco Master está alinhado a uma regra do CMN assinada em 2018. O depoimento ocorreu na instalação da CPI do Crime Organizado, que investiga a atuação da autoridade monetária no caso Master. O objetivo é esclarecer os mecanismos de regulação e a resposta institucional.
O caso envolve o que é considerado um dos maiores escândalos bancários da história. O founder do Master, Daniel Vorcaro, encontra-se preso pela segunda vez desde 4 de março. Ele é investigado por corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos. A CPI busca entender o papel do BC na liquidação extrajudicial da instituição.
Segundo Galípolo, o sigilo atual vai até 2033 e resulta de uma norma de 2018 que reduziu de 10 para 8 anos o tempo de sigilo para bancos menores, mantendo 10 anos para instituições maiores. A assinatura da regra foi efetuada pelo ex-presidente Ilan Goldfajn. O BC afirma que o rito legal foi seguido para evitar futuros questionamentos.
O presidente do BC reforçou que o cumprimento estrito das regras é essencial para evitar qualquer subsídio de dúvidas futuras sobre o processo. Ele comparou com outros dois casos de liquidação sob consulta, mencionando que o BC atua para manter a ética como valor fundamental e buscar transparência no andamento das apurações.
A investigação envolve o FGC, com rombo estimado em quase 52 bilhões de reais, e impactos sobre estados, municípios e fundos de previdência. Galípolo participa da oitiva como testemunha, com o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) no papel de relator da CPI.
O BC também destacou que houve reunião fora da agenda pública em dezembro de 2024 no Palácio do Planalto com Vorcaro, o presidente Lula e outras autoridades. Na época, Galípolo não informou sobre o encontro ao então presidente do BC, Roberto Campos Neto. O episódio é alvo de escrutínio na CPI.
Sobre o BRB, o Banco de Brasília, o BC identificou créditos podres durante a negociação de compra do Master pelo BRB em 2025. O BRB, que já comprou carteiras do Master avaliadas em 12,2 bilhões de reais, enfrenta pressão financeira e risco de liquidação, com o balanço do ano anterior não divulgado.
Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, ambos do BC, são investigados por facilitar interesses do Master na instituição. A CGU instaurou processos administrativos; a PF também atua em paralelo na investigação criminal, com duas frentes em curso.
As apurações incluem diligências da CGU e da Polícia Federal, que apuram possíveis irregularidades envolvendo funcionários do BC e terceiros ligados ao Master. O BC afirma que concedeu oportunidades para esclarecer fatos, ampliando a apuração até obter fundamentos robustos.
Caso Master
O Banco Master foi liquidado pelo BC em novembro de 2025. Em março de 2026, Vorcaro assinou acordo de confidencialidade com PF e PGR para possível delação premiada. O acordo envolve riscos para autoridades de Brasília e ocorreu quase um ano após a venda do Master ao BRB, que busca recuperação financeira.
O Master foi responsável pelo rombo do FGC, apesar de possuir parcela muito pequena do ativo total do sistema financeiro. O caso também gerou prejuízos de quase 2 bilhões de reais para estados e municípios, afetando planos de previdência de diversas entidades.
Entre na conversa da comunidade