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Guerra eleva inflação; projeções para 2026 sobem quase 1 ponto

Guerra no Oriente Médio eleva inflação de 2026 para 4,8%, com Transportes e Alimentação puxando a alta e pico previsto em agosto, quase 5%

Uma gota de gasolina cai do bico de uma bomba de combustível em Velizy-Villacoublay, perto de Paris
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  • A guerra no Oriente Médio elevou o IPCA e levou a projeção de inflação para 2026 a 4,8%, acima do teto de 4,5%.
  • O choque adicionaria 0,82 ponto percentual à inflação prevista antes do conflito, com Transportes contribuindo 0,43 p.p. e Alimentação 0,37 p.p.
  • Em 2026, Transportes subiria de 3,3% para 5,4% e Alimentação de 3,8% para 5,6%, puxando o IPCA para cima.
  • Em março, preços de combustíveis subiram forte, com gasolina em 4,6% e diesel em 14%, pressionando especialmente Transportes e Alimentação.
  • O Boletim Focus aponta inflação de 4,36% para 2026 após a guerra, frente a 3,91% antes do conflito; serviços seguem menos afetados pela alta do petróleo.

A guerra no Oriente Médio, associada aos impactos diretos nos preços do petróleo, elevou a inflação brasileira medida pelo IPCA. O avanço ocorreu em março e repercute nas projeções para 2026, segundo economistas consultados. A alta é explicada pelo choque de oferta que afeta combustível e cadeias de preços.

Especialistas indicam que o aumento tende a permanecer ao longo do ano, mesmo com possível moderação dos preços do petróleo entre US$ 80 e US$ 90 por barril. As projeções para 2026 sinalizam inflação acima da meta tolerável do sistema de metas.

Antes do conflito, a inflação projetada para 2026 ficava em torno de 4,0%, acima do centro de 3,0%, mas dentro da faixa de tolerância. Com a guerra, a expectativa para o IPCA sobe para quase 5% ao ano, segundo economistas da área.

Impacto setorial

A contribuição do conflito para a inflação de 2026 seria de cerca de 0,82 ponto percentual em relação ao cenário sem guerra. Transportes responderiam por 0,43 p.p. adicionais, e Alimentação por 0,37 p.p., aumentando o peso desses grupos no índice.

Em março, Transportes registrou alta de 1,65%, impulsionada pela gasolina e pelo diesel, que subiram fortemente. A gasolina avançou 4,6% e o diesel, 14%, no mês. O setor de Transportes deve permanecer pressionado.

Os preços de Alimentos também subiram, com especial impacto pela elevação de combustíveis. O índice de alimentação no domicílio mostrou alta de quase 2% em março, alimentando a pressão inflacionária na família de itens.

Perspectivas e sensibilidades

Para 2026, a projeção considera que Alimentos avançariam de 3,8% para cerca de 5,6%, enquanto Transportes subiria de 3,3% para 5,4%. Se confirmadas, essas duas categorias puxarão o IPCA para cima. Serviços, por sua vez, mostram menor sensibilidade aos preços de petróleo.

Segundo o economista José Francisco de Lima Gonçalves, núcleo de inflação permanece estável apesar do choque de petróleo, preservando a dinâmica de preços de serviços. Ele aponta que a inflação de núcleo não acompanha totalmente a volatilidade dos combustíveis.

O boletim Focus indica alta gradual da inflação para 2026, com a mediana das projeções subindo de 3,91% antes do conflito para 4,36% agora, refletindo o ajuste causado pela guerra e pelos seus efeitos sobre energia e alimentos.

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