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Howard Marks e o crédito privado: lições sobre começo e fim

Fundamentos do crédito privado nos EUA estão mais fracos; investidores vão pelo ganho e ignoram riscos, diz Howard Marks

“O que o sábio faz no começo, o tolo faz no final.” Howard Marks e o crédito privado
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  • Howard Marks afirmou em seu memorando mais recente que os fundamentos do crédito privado nos EUA estão fracos, e o comportamento dos investidores tem ampliado os problemas.
  • O texto destaca que muitos olharam apenas os altos retornos do *direct lending* (empréstimos a empresas de médio porte, investidas de private equity e sem grau de investimento) e ignoraram os riscos, especialmente em ciclos de baixa.
  • Grande parte desses empréstimos ficou reunida em Business Development Companies (BDCs), companhias listadas que são negociadas por investidores de varejo.
  • Marks aponta limitações de liquidez, alto risco em algumas emissões e incerteza na precificação dos ativos, além de citar a possível influência da IA na indústria de software, setor mais exposto nas BDCs.
  • O investidor não prevê um colapso do *direct lending*, mas admite que pode passar por um ciclo de crédito antes de se ajustar, comparando o cenário a momentos históricos de disrupção e tensões geopolíticas.

O mercado de crédito americano mostra sinais de fragilidade em seus fundamentos, conforme aponta Howard Marks em seu memorando mais recente. O documento, publicado nesta semana, analisa o comportamento dos investidores diante dos ciclos de baixa e o impacto de taxas de juros baixas.

Marks afirma que a ganância e a falta de informação levaram muitos a valorizar apenas retornos elevados, ignorando riscos. Quando os ciclos de retração chegam, surgem decepções entre quem esperava apenas atalhos de ganho.

O relatório destaca que, após a crise de 2008, o crédito privado ganhou espaço por conta da retração dos bancos e regulações mais rígidas. O setor de direct lending passou a financiar empresas de médio porte, controlled investments e ventures de private equity.

BDCs, empresas listadas em bolsa que empacotam esses empréstimos, passaram a atrair investidores de varejo. Com juros baixos, os retornos oferecidos pareceram mais atraentes, ampliando o interesse de quem tinha pouco conhecimento sobre o mercado.

Marks observa que o otimismo inicial gerou inveja entre quem não participou, levando alguns a entrar no segmento mesmo sem clareza de risco ou de precificação dos ativos. O questionamento central é: até que ponto pagar por participação é seguro?

Para o cofundador da Oaktree, o princípio fundamental é conhecer o ponto de partida do investimento, evitando decisões impulsivas. A comparação com a máxima de Warren Buffett reforça a cautela sobre entrada tardia em tendências.

Apesar de reconhecer distúrbios e manchetes no setor, Marks não prevê um colapso do direct lending. Ele atribui as variações a fluxos de mercado e ao sentimento, não a uma deterioração sistêmica do crédito.

O gestor aponta que o direct lending pode seguir caminhos semelhantes aos do high yield dos anos 1980 e 1990, quando a inovação atraiu investidores, mesmo diante de turbulências. A expectativa é de ciclagem de crédito rumo a um patamar mais estável.

Contexto e perspectivas

  • O memorando aponta que a desvalorização de ativos e a queda de liquidez permanecem pontos de atenção.
  • O texto chama atenção para a dependência de disrupções tecnológicas no setor de software, principal foco das BDCs.
  • A análise sugere que o setor pode superar dificuldades, desde que haja disciplina de precificação e gestão de risco.

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