- Brasil registrou recordes em aviação e turismo internacional em 2025: 129,6 milhões de passageiros nos aeroportos e 9,3 milhões de visitantes estrangeiros.
- A Iata aponta entraves estruturais que limitam a expansão do setor, apesar do crescimento recente.
- Entre os principais obstáculos estão o ambiente regulatório, custos elevados e alto nível de judicialização na aviação.
- A reforma tributária preocupa, com estimativa de alíquota de cerca de 26% podendo elevar o custo das viagens.
- A realização da Assembleia Geral da Iata no Brasil é vista como oportunidade para discutir oportunidades e desafios, e reforçar a cooperação com o governo.
O Brasil registrou recordes em turismo e aviação em 2025, segundo dados da Iata e anunciados pelo UOL. Os aeroportos nacionais tiveram 129,6 milhões de passageiros, enquanto 9,3 milhões de visitantes estrangeiros chegaram por via aérea, ambos recordes.
Em entrevista exclusiva, Peter Cerdá, vice-presidente da Iata para as Américas, afirmou que o crescimento indica compromisso das companhias, mas destacou entraves estruturais que limitam a expansão do setor. O executivo aponta desafios regulatórios e custos elevados.
Além disso, o executivo ressaltou que o país pode explorar mais o turismo internacional, citando a comparação com destinos como Espanha e México. Para Cerdá, há grande potencial se houver alinhamento entre setor e governo para transformar esse ativo em resultados.
Entraves: custos e judicialização
Cerdá listou como principais obstáculos o ambiente regulatório, o custo total de viagens e o elevado nível de litígios no setor. Disse que o Brasil não pode continuar sendo o mais litigioso do mundo na aviação.
Segundo ele, a soma de encargos, taxas e tarifas, além da sobretaxa de combustível, aumenta o preço final da viagem. Em relação à reforma tributária, a alíquota estimada em 26% pode elevar ainda mais os custos para os passageiros.
O executivo também afirmou que mudanças regulatórias e de custos dariam impulso à conectividade aérea, ampliando rotas e acessibilidade. Ele ressaltou a importância de reduzir encargos no consumo para beneficiar o setor.
Reforma tributária preocupa
A Iata teme que o aumento da tributação eleve o custo das viagens, reduzindo demanda e restrições a novas rotas. Cerdá citou o impacto direto na conectividade de cargas e na integração de regiões isoladas do país.
Ele destacou ainda que o transporte aéreo é crucial para comunidades com acesso difícil por terra, especialmente em saúde e serviços. A indústria pediu clareza de regras para estimular o crescimento.
Governo e eleições
O executivo reforçou a necessidade de diálogo entre o setor e o governo, independentemente de quem seja eleito, desde o início do mandato. A ideia é criar condições para ampliar o papel do transporte aéreo na economia.
O objetivo é que a aviação contribua para o desenvolvimento econômico sem perder o equilíbrio regulatório. Cerdá comentou que o Brasil deve aproveitar a Assembleia Geral Anual da Iata para debater oportunidades e desafios com autoridades e empresas.
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