- As doações para instituições de caridade na China caíram 8,7% em 2024, totalizando 126 bilhões de yuans, quarto ano seguido de queda.
- O número de organizações sociais registradas recuou 1,1% no fim de 2024, para cerca de 871.800; fundações cresceram, enquanto entidades privadas não empresariais recuaram 3,6%.
- O gasto das fundações com bem-estar público caiu para 80% em 2023, sinalizando menor fluxo de recursos e eventual redução de serviços.
- O setor enfrentou escândalos de fraude desde 2023 e endurecimento regulatório, com a Lei de Caridade de 2024 ampliando a supervisão sobre arrecadação e doações internacionais.
- Em comparação internacional, as doações diretas na China permanecem abaixo de EUA, Índia e Japão, mesmo com previsão de crescimento de recursos para o bem-estar público.
As doações para instituições de caridade na China caíram pelo quarto ano consecutivo em 2024, pressionadas pela economia e por uma crise de confiança após casos de fraude. O número de doações diminuiu, refletindo um cenário desafiador para o setor filantrópico.
O levantamento é do Livro Azul da Caridade: Relatório de Desenvolvimento da Caridade na China (2025), elaborado por Yang Tuan, da Academia Chinesa de Ciências Sociais. A publicação aponta o impacto de fatores macroeconômicos e da substituição gradual de organizações com baixo desempenho.
As doações de empresas e indivíduos totalizaram 126 bilhões de yuans (US$ 18,4 bilhões) em 2024, queda de 8,7% ante 2023. O valor está 18% abaixo do pico de 153,4 bilhões de yuans registrado em 2020.
Panorama estrutural
O relatório mostra queda no registro de organizações sociais, que somam cerca de 871.800 no fim de 2024, 1,1% a menos. Fundações e grupos sociais tiveram leve crescimento, enquanto entidades privadas não empresariais recuaram 3,6%.
As doações nas 10 principais fundações públicas de arrecadação caíram, em média, 17,5% em 2024. A Fundação Chinesa para o Desenvolvimento Rural teve queda de 18%, para 1,13 bilhão de yuans.
O sistema de fundações registrou doações estimadas em 82 bilhões de yuans, recuo de quase 10%. O relatório aponta menor eficiência de gasto público com bem-estar, caindo de 92% em 2019 para 80% em 2023.
Regulação e reputação
O documento cita, desde 2023, múltiplos casos de fraude envolvendo fundos de doenças graves, cada um acima de 10 milhões de yuans. O episódio mais citado envolveu Ke Shanxiao, da Fundação Chinesa de Auxílio a Crianças.
Em resposta, Pequim consolidou controles com a Lei de Caridade revisada em 2024, restringindo campanhas online para doenças graves e fortalecendo a supervisão de doações internacionais. A prática é apresentada como parte da segurança econômica e social.
Segundo Liang Yanling, membro do comitê do partido na editora parceira, a filantropia passou a ter status estratégico nacional, elevando o nível de regulação e supervisão sobre o setor.
Perspectivas internacionais
O livro azul aponta que o ambiente exige reformas estruturais para erradicar a corrupção e reconstruir confiança. Contudo, alerta que políticas com formato único podem sufocar inovação e dificultar a sobrevivência de serviços sociais.
Estimativas indicam que o total de recursos para bem-estar público deve crescer 11,7% em 2024, alcançando 523,5 bilhões de yuans. Doações diretas, porém, permanecem abaixo de padrões internacionais.
Comparação global
Em 2023, os EUA registraram doações de US$ 557,16 bilhões, segundo a Giving USA Foundation. A China, com ênfase em controles e transparência, permanece atrás nesses patamares, ainda que o impacto social total tenha outras métricas de crescimento.
O relatório cita ainda Índia e Japão como referências: 1,2 trilhão de rúpias em 2023 e cerca de US$ 14 bilhões em doações, respectivamente, apesar de diferenças populacionais e regulatórias.
Este texto foi adaptado para o padrão do Poder360 a partir do Caixin Global, com dados do Livro Azul da Caridade (2025).
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