- O FMI prevê que uma guerra prolongada pode exigir aperto monetário mais doloroso para controlar a inflação, com impactos maiores que os vistos após a pandemia.
- O economista-chefe Pierre-Olivier Gourinchas disse que, diante de petróleo, gás e outras commodities mais caros, bancos centrais podem ter que impor sacrifícios econômicos maiores.
- Cenários do FMI: base leva a crescimento global de 3,1% em 2026; cenário adverso, 2,5% com petróleo em média de US$ 100; cenário severo, 2,0% com petróleo entre US$ 110 e US$ 125.
- A projeção de 2026 corta o crescimento conforme a visão de uma guerra de curto prazo e petróleo a 82 dólares por barril, segundo as últimas avaliações.
- A principal preocupação é a possível desancoragem das expectativas de inflação, o que poderia fazer enfrentá-la exigir mais esforço de política econômica.
O FMI diz que uma guerra prolongada pode exigir aperto doloroso de bancos centrais para controlar a inflação. O economista-chefe Pierre-Olivier Gourinchas afirmou que o esforço poderá ser maior do que o visto após a pandemia, especialmente se a inflação se desancorar.
De acordo com Gourinchas, a atual folga da economia, com emprego mais fraco e maior oferta de bens, não elimina o potencial de choques inflacionários gerados por petróleo, gás e outras commodities. O aperto pode ser mais duro para reduzir a inflação.
“Pisar no freio será doloroso” em um cenário de inflação enraizada, aponta o FMI. O economista citou o risco de que as expectativas se tornem menos ancoradas, levando empresas a reajustar preços com mais facilidade e trabalhadores a buscar salários mais altos.
Cenários de crescimento e inflação
Nesta terça, o FMI revisou a perspectiva de crescimento global para 2026, para 3,1%, 0,2 ponto percentual abaixo de janeiro. A queda envolve suposição de conflito com duração curta e petróleo em média de US$ 82 por barril em 2026.
No cenário adverso, com guerra mais longa e petróleo a US$ 100, o FMI projeta crescimento de 2,5%. O cenário severo aponta petróleo médio de US$ 110 em 2026 e US$ 125 em 2027, com crescimento em 2026 de 2,0%.
O principal desafio, segundo Gourinchas, é evitar que as expectativas inflacionárias se desancorem. Sem essa ancoragem, o choque de preços de 2022 pode deixar a inflação mais persistente, dificultando o controle por políticas monetárias.
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