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Crise silenciosa de crimes na Amazônia é tema de comentário

Criminalidade ambiental avança na Amazônia, elevando risco de ponto de virada ecológica e comprometendo governança, investimentos e futuro socioeconômico da região

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  • A Amazônia enfrenta ponto de inflexão perigoso, com desmatamento, degradação e incêndios aumentando o risco climático; estima-se que a degradação possa ocorrer quando o desmatamento atinge cerca de vinte a vinte e cinco por cento em algumas áreas, e aproximadamente entre catorze e dezessete por cento já foram desmatados.
  • Uma economia ilícita ligada ao crime organizado se tornou protagonista, conectando grilagem, manejo ilegal de madeira, garimpo, tráfico de animais e crimes como extorsão e lavagem de dinheiro; no Brasil, cerca de vinte e cinco por cento do ouro circulante foi ilegalmente extraído em mil e vinte e quatro, e no Peru quase quarenta por cento das exportações de ouro em dois mil e vinte e quatro tiveram origem ilícita.
  • Grupos criminosos, incluindo facções como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital, ampliaram a atuação em garimpo ilegal e nas respectivas cadeias de suprimento, servindo como fonte de renda e facilitando a lavagem de dinheiro.
  • A resposta institucional vem ganhando importância: a Declaração de Belém de dois mil e vinte e três ligou proteção da Amazônia a ações contra ocupação irregular de terras e atividades ilícitas; decisões recentes visam ampliar cooperação, transparência e aplicação de leis, com ações envolvendo policiais e órgãos ambientais.
  • Medidas de desincentivo ao risco de investimento estão em andamento, com iniciativas de desradicalização territorial e de melhoria de governança, como o projeto Derisking Amazonia; há potencial econômico significativo — geração de empregos e valor econômico considerável — se houver segurança de posse, cadeias de suprimento transparentes e alternativas econômicas locais.

O crime ambiental na Amazônia avança de forma integrada aos ganhos do crime organizado, ampliando desmatamento, degradação e risco de incêndios. O texto aponta como a combinação entre atividades ilegais e corrupção ameaça governança, investimentos e a própria estabilidade climática regional.

Especialistas alertam que o desmatamento, a degradação e as hotter temperaturas elevam a probabilidade de transições irreversíveis em trechos da bacia, sobretudo no leste e no sul. A área desmatada varia conforme a definição, chegando a percentuais relevantes para cenários de falha ecológica.

Um eixo de preocupação é a economia ilícita que se tornou parte central da Amazônia. Grupos criminosos vinculados a narcotráfico atuam em terras públicas, extraem madeira, promovem garimpo ilegal e traficam animais, além de ampliar atividades como extorsão, corrupção e lavagem de dinheiro. Em diversas regiões, as atividades são coordenadas e transnacionais.

O garimpo ilegal de ouro é destacado como motor de lucro para redes criminosas, com facilidades proporcionadas por altas cotações do metal e instabilidade geopolítica. Dados de 2024 indicam que cerca de 25% do ouro circulante no Brasil teria origem ilícita; números semelhantes são observados no Peru, onde volumes expressivos das exportações advêm de fontes irregulares.

Essa dinâmica alimenta um ciclo de degradação ambiental e expansão de estruturas de poder paralelo. A presença de redes criminosas em territórios remotos substitui o papel do Estado, aumentando violência contra comunidades indígenas, líderes locais e defensores do meio ambiente.

Governo e governança

Recentes movimentos institucionais tratam de enfrentar esse cenário. No Brasil, o STF ordenou medidas mais severas de repressão a organizações criminosas na Amazônia, com ações conjuntas entre polícia federal, Ibama e órgãos estaduais. A decisão enfatiza a necessidade de presença reforçada em áreas fronteiriças.

Por outro lado, a resposta vai além da repressão. Iniciativas como a Derisking Amazonia, apoiada por bancos e institutos, defendem securização territorial aliada a oportunidades econômicas sustentáveis. Modelos de desenvolvimento com manejo de carbono e restauração podem gerar empregos e valor econômico, desde que haja governança robusta.

Caminhos e desafios

Para reduzir riscos, é essencial ampliar a segurança de tenure de terras, reconhecer direitos de povos originários e melhorar a rastreabilidade de cadeias produtivas. Transparência em cadeias de suprimento e fiscalização financeira ajudam a reduzir a lavagem de dinheiro de atividades ilegais em mercados legais.

Economias locais precisam de alternativas viáveis. Investimentos em educação, infraestrutura e serviços públicos fortalecem comunidades e reduzem a vulnerabilidade a recrutamento por redes criminosas. A integração entre proteção ambiental, desenvolvimento econômico e participação comunitária é apresentada como caminho-chave.

O texto destaca que a Amazônia, além de recurso natural global, abriga quase 50 milhões de pessoas, incluindo mais de 2,2 milhões de indígenas. Qualquer estratégia precisa considerar a realidade dessas territórios para evitar impactos sociais e promover uma economia socio-bioindustrial segura.

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