- Fábrica de gelo alimentada por energia solar, batizada de Gelo Caboclo, funciona na comunidade ribeirinha de Santa Helena do Inglês, Iranduba, Amazonas, com produção de até uma tonelada de gelo por dia e armazenamento de até 20 toneladas.
- O complexo usa poço artesiano para água de boa qualidade e conta com usina de placas fotovoltaicas e baterias de lítio para operação contínua.
- O investimento total foi de cerca de R$ 1,5 milhão, com R$ 1,3 milhão via PD&I da empresa Positivo e R$ 200 mil em baterias pela UCB Power.
- A gestão fica a cargo de Demétrio Júnior, escolhido pela comunidade, e a fábrica atende a mais de trinta famílias, reduzindo a dependência de gelo comprado em Manaus.
- Além de beneficiar pesca e turismo, o projeto visa tornar a cadeia da pesca mais sustentável, diminuindo emissões de carbono associadas ao transporte do gelo.
Um projeto de energia solar viabilizou uma fábrica de gelo na comunidade ribeirinha de Santa Helena do Inglês, em Iranduba, Amazonas. A iniciativa entrou em funcionamento neste mês de abril, buscando reduzir custos logísticos e emissões na cadeia do pescado. A instalação depende exclusivamente de energia fotovoltaica.
O complexo Gelo Caboclo tem capacidade para gerar uma tonelada de gelo por dia e armazenar até 20 toneladas. Conta com um poço artesiano para água de boa qualidade, sem impactar o consumo da comunidade, e com uma usina de placas fotovoltaicas conectadas a baterias de lítio que asseguram operação contínua.
Nelson Brito, pescador de 49 anos, celebra a autonomia proporcionada pela fábrica para mais de 30 famílias da região. Era comum comprar gelo em Manaus, a cinco horas de barco, gerando alto custo com combustível e risco de perda de pescado por derretimento.
Sustentabilidade social
A solução surgiu de uma força-tarefa que reuniu organizações sociais, iniciativa privada, governo e a comunidade. O objetivo foi atender a demanda que persiste em comunidades ribeirinhas da Amazônia pela logística de conservação do pescado.
A Fundação Amazônia Sustentável (FAS) mobilizou o Idesam e o PPBio, da Suframa, para viabilizar o projeto. A Positivo investiu R$ 1,3 milhão em PD&I, com apoio fiscal, e a UCB Power entregou R$ 200 mil em baterias, totalizando R$ 1,5 milhão.
Sustentabilidade econômica
A fábrica está localizada em uma Unidade de Desenvolvimento Sustentável, com licenciamento gerido pela FAS. Um gestor local assume o negócio após seleção pela comunidade, com orientação técnica para sustentabilidade econômica.
Demétrio Júnior, irmão de Nelson e pescador, foi escolhido como gestor. A expectativa é atender 70% da demanda durante a temporada de pesca, com o restante suprido por compras em Manaus, e beneficiar também turismo e agricultura familiar.
O projeto busca ampliar receitas para manter a operação, incluindo futuras venda de mantimentos para pescadores, além do gelo, para fortalecer a renda local ao longo do ano.
Sustentabilidade ambiental
O gelo produzido com energia limpa reduz parte do deslocamento de embarcações movidas a combustível fóssil, contribuindo com a redução de emissões. O acesso à energia continua sendo desafio na região, o que torna o modelo replicável para outras comunidades.
O estudo citado pela equipe aponta que quase 1 milhão de amazonenses não tem acesso adequado à energia, que é crucial para gerar renda. O projeto pretende servir como referência para ampliar o uso de energia renovável em comunidades ribeirinhas.
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