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Inadimplência pode pressionar consumo e PIB, diz pesquisador do Ibre/FGV

Endividamento das famílias compromete cerca de um terço da renda, pressionando consumo e PIB, diante de juros elevados e inflação

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  • O pesquisador João Mário de França, do Ibre/FGV, afirma que o endividamento das famílias já compromete cerca de um terço da renda média, impactando consumo e PIB.
  • O consumo é o principal motor do Produto Interno Bruto, e o endividamento pode reduzir o ritmo da atividade econômica.
  • Dois fatores agravam a situação: juros elevados e inflação que corrói o poder de compra, com crédito caro, como o cartão de crédito rotativo, apresentando juros de mais de quatrocentos por cento ao ano.
  • A inflação no país fica em torno de quatro a quatro e meio por cento ao ano, com alimentos acima da média.
  • Medidas do governo, como a utilização do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço para quitar dívidas, são vistas como soluções emergenciais; são necessárias reformas estruturais nas contas públicas e educação financeira.

O endividamento das famílias brasileiras já compromete cerca de um terço da renda média, conforme levantamento do Ibre/FGV. A situação foi citada por João Mário de França em entrevista ao CNN Money, na semana passada, como fator que reduz consumo e freia o crescimento do PIB.

Segundo o pesquisador, o consumo, principal motor da atividade econômica, tende a recuar quando a renda é destustada pelo pagamento de dívidas. Isso pode levar a uma desaceleração da economia caso o endividamento permaneça elevado.

Dois vetores agravam o cenário: juros altos e inflação que corrói o poder de compra. A estrutura de crédito das famílias é marcada por modalidades caras, como o cartão de crédito rotativo, com juros superiores a 400% ao ano, enquanto a inflação fica em torno de 4% a 4,5% ao ano, com alimentos acima da média.

Sobre as medidas de curto prazo anunciadas pelo governo, como a utilização do FGTS para abatimento de dívidas, o especialista vê soluções emergenciais que não alteram o perfil de endividamento. A visão é de que o problema é estrutural e depende de ajustes fiscais e políticas de médio e longo prazo.

França utiliza a expressão bola de neve para explicar o ciclo atual: mais pessoas recorrem a crédito caro, enquanto o governo se financia por títulos com custo menor. Há necessidade de ações que reduzam juros reais, com educação financeira e maior transparência nas escolhas de crédito.

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