- A Polícia Federal prendeu o advogado Daniel Monteiro, apontado como “arquiteto jurídico” das operações fraudulentas envolvendo o banco Master, na quarta fase da Operação Compliance Zero.
- A decisão do ministro André Mendonça indica que Monteiro atuou para dar aparência de legalidade às operações e estruturar a aquisição e a ocultação de imóveis vinculados ao Master.
- Foram identificados seis imóveis usados como vantagem indevida, avaliados em R$ 146 milhões, com indícios de ganho econômico próprio de ao menos R$ 86 milhões.
- A atuação envolveu fundos geridos pela Reag e empresas de fachada, atribuídas a interpostas pessoas, para ocultar titularidade e movimentar recursos entre o Master, Tirreno e o BRB.
- Monteiro seria o elo entre o dono do Master e Augusto Lima; a defesa afirma atuação estritamente técnica e coloca-se à disposição da Justiça.
O advogado Daniel Monteiro foi preso pela Polícia Federal na 4ª fase da Operação Compliance Zero. Ele é apontado como operador da engrenagem criminosa ligada ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, no contexto de suspeitas de fraude envolvendo o banco Master. A ação ocorreu no âmbito da continuidade das investigações.
Segundo a PF, Monteiro atuou para conferir aparência de legalidade às operações fraudulentas envolvendo a Tirreno e as carteiras cedidas ao BRB, em tentativas de venda do Master. O Ministério Te STF autorizou a prisão com base em indícios de atuação técnica e estrutural na fraude.
O ministro André Mendonça, do STF, afirmou haver indícios de que Monteiro projetou a blindagem jurídica e documental das operações, além de estruturar a malha societária para aquisição e ocultação de imóveis vinculados a Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, também preso.
Investigações e imóveis
A polícia identificou seis imóveis usados como vantagem indevida a Costa, com avaliação de cerca de 146 milhões de reais. A decisão cita indícios de que Monteiro recebeu benefício econômico de ao menos 86 milhões de reais através das operações.
Para operacionalizar pagamentos e ocultar a titularidade, teriam sido mobilizados fundos de investimento geridos pela Reag, além de empresas de fachada atribuídas a interpostas pessoas, incluindo o cunhado do advogado. A PF aponta que Monteiro buscou juridicidade para as operações espúrias.
Além da atuação societária, Mendonça descreveu que Monteiro administrou fluxos entre fundos e empresas-veículo, mantendo sob guarda documentação sensível e registral ocultada. A estratégia visava dificultar a identificação dos reais titulares.
Vínculos e histórico
O fundador da Reag, João Carlos Mansur, já havia sido alvo de busca na segunda fase da operação, em janeiro. A relação entre a gestora e o caso é citada pela fiscalização do Banco Central como indicadora de fraude em operações com veículos administrados pela Reag Trust/CBSF DTVM.
Monteiro nasceu em São Paulo, é formado pela PUC-SP e atua no direito societário, bancário e de mercado de capitais. O advogado colaborou com Augusto Lima, ligado ao Master, que participou da privatização da Ebal e de outros empreendimentos. A defesa informou que ele permanece à disposição da Justiça e nega participação em atividades fora do exercício profissional.
Entre na conversa da comunidade