- Brasil aparece como um dos emergentes mais bem posicionados para enfrentar o choque energético, segundo estudo do BTG Pactual, graças ao desempenho da balança comercial com petróleo e fertilizantes.
- Em 2025, o superávit com petróleo e derivados foi de US$ 32 bilhões e o déficit com fertilizantes, de US$ 15 bilhões, resultando num saldo líquido positivo de US$ 16,4 bilhões (0,72% do PIB).
- Além do Brasil, apenas a Colômbia teve saldo líquido positivo nesse conjunto de variáveis em 2025, totalizando US$ 7,1 bilhões (1,6% do PIB). O Brasil tem o maior colchão absoluto entre emergentes.
- Entre as grandes economias analisadas (PIB acima de US$ 500 bilhões em 2025), o Brasil é o único com saldo líquido positivo, fortalecendo sua posição ao início do choque.
- Reservas internacionais de US$ 358 bilhões (aproximadamente 15,7% do PIB) compõem um colchão de liquidez que, segundo a economista, reduz a vulnerabilidade externa mesmo com déficit em transações correntes de 3% do PIB em 2025.
Brasil aparece entre os emergentes mais bem posicionados para enfrentar o choque energético desencadeado pelo conflito no Oriente Médio, aponta estudo do BTG Pactual. A conclusão é da economista Iana Ferrão, em pesquisa para o Estadão/Broadcast.
O estudo analisa a balança comercial considerando petróleo e fertilizantes. Segundo Ferrão, o Brasil reúne fundamentos mais sólidos para resistir a choques externos do que a maioria das economias da amostra.
Em 2025, o superávit com petróleo e derivados foi de US$ 32 bilhões, enquanto o déficit com fertilizantes ficou em US$ 15 bilhões. O resultado líquido foi de US$ 16,4 bilhões, equivalente a 0,72% do PIB.
Além do Brasil, apenas a Colômbia apresentou saldo líquido positivo no mesmo conjunto, com US$ 7,1 bilhões (1,6% do PIB). O Brasil apresenta o maior colchão absoluto entre emergentes.
Entre grandes economias com PIB superior a US$ 500 bilhões em 2025 — Brasil, México, Turquia, China, Indonésia, Índia e Coreia do Sul — o Brasil é o único com saldo líquido positivo. Isso reforça seu posicionamento inicial no choque.
O estudo acompanha 13 países: África do Sul, Brasil, Chile, China, Colômbia, Coreia do Sul, Filipinas, Índia, Indonésia, Malásia, México, Peru e Turquia. Ferrão ressalta que as moedas acompanharam a exposição ao choque externo.
Ela aponta que economias com saldo líquido de energia e fertilizantes mais favorável tiveram melhor desempenho cambial relativo. Importadores líquidos de energia, pelo contrário, registraram depreciações.
Analisando o período de 27 de fevereiro a 13 de abril, a leitura de mercado acompanhou a exposição na balança comercial. No intervalo, a moeda colombiana se valorizou 4,6%, e o real avançou 2,5%.
A pesquisadora reforça que o Brasil não depende apenas de resultados de 2025. Na média de 2022 e 2025, Colômbia e Brasil mantêm saldo positivo, com o Brasil em US$ 11,7 bilhões (0,46% do PIB) e a Colômbia em US$ 9,2 bilhões (2,37% do PIB).
Reservas e colchão de liquidez
Ferrão destaca que, além do choque energético, é essencial considerar transações correntes e reservas internacionais. O Brasil registrou déficit em transações correntes equivalente a 3% do PIB em 2025, mas tem reservas de US$ 358 bilhões, cerca de 15,7% do PIB.
“O país entra no episódio com colchão relevante de liquidez e com um choque comercial que tende a reduzir o déficit em transações correntes e a vulnerabilidade externa”, afirma a economista do BTG.
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