- O CEO Luca de Meo prometeu mais que dobrar a margem operacional da Kering e revitalizar Gucci, durante apresentação em Florença.
- As ações da Kering caíram cerca de 2,5% na bolsa de Paris às 10h20 GMT após o evento.
- Gucci representou cerca de 60% do lucro do grupo no ano anterior, sendo a principal fonte de receita, ainda que o desempenho tenha variado com mudanças de gosto dos consumidores.
- A empresa visa reduzir o estoque em 1 bilhão de euros em doze meses e ampliar a participação de joias e óculos na receita, incluindo a venda de artigos de couro de alta margem até 2030.
- O plano envolve redefinir a Gucci sob Demna, com foco no cliente e em menos lojas, além de aquisições seletivas, como participação minoritária na Icicle.
O CEO da Kering, Luca de Meo, apresentou um plano para dobrar a margem operacional do grupo de luxo e revitalizar a Gucci, principal marca da empresa. A defesa busca tranquilizar investidores diante da incerteza econômica e do conflito no Oriente Médio.
A apresentação ocorreu em Florença, cidade-sede da Gucci. De Meo afirmou que quer reduzir o peso da Gucci no faturamento e ampliar a atuação em joias, além de otimizar a rede de lojas. O objetivo é tornar o portfólio mais equilibrado.
As ações da Kering recuaram na Bolsa de Paris, cerca de 2,5% às 10h20 GMT, após a apresentação. A queda reflete a reação inicial do mercado diante das metas apresentadas.
Gucci respondia por aproximadamente 60% do lucro da Kering no ano anterior, mantendo-se como principal geradora de receita até 2023, quando mudanças de gosto afetaram o desempenho do grupo.
De Meo disse que o negócio ficou estruturalmente desequilibrado, dependente de ciclos voláteis da moda. O executivo destacou a necessidade de reduzir essa volatilidade e fortalecer a estratégia de marca.
O acionista controlador François-Henri Pinault acompanhou o discurso da primeira fila; ele renunciou ao cargo de presidente do conselho no ano passado para abrir espaço a de Meo, mantendo participação no grupo.
Os resultados da Kering ficaram abaixo da média do setor de luxo, segundo analistas. A performance recente diverge do desempenho de concorrentes como LVMH e Hermès.
Desde a nomeação de de Meo, as ações subiram mais de 40%, mas recuaram 28% desde o pico de outubro, acompanhando a tendência do setor. Os retornos operacionais ainda ficam aquém dos pares.
A meta de dobrar a margem operacional, que ficou em torno de 11% no ano passado, seria alinhada aos pares do setor, segundo analistas. O plano inclui reduzir o estoque em cerca de € 1 bilhão em 12 meses.
Entre as tornou-se ações, o grupo também detalhou medidas para joias e óculos. A divisão de óculos produzirá itens de luxo, incluindo parcerias com a Google para óculos inteligentes.
A Gucci passa por reformulação sob Demna, designer que assumiu no ano passado. De Meo disse que a marca deve manter o estilo distinto e tornar-se mais centrada no cliente, com menos lojas, mas melhor compreensão regional.
Para ampliar a participação de itens de maior margem, a Kering visa aumentar as vendas de couro de alto valor para € 1 bilhão adicionais até 2030, conforme apresentação.
O contexto geopolítico pode dificultar a missão, com a continuidade da instabilidade no Oriente Médio impactando vendas na região do Golfo e o turismo. Pesquisas apontam efeito indireto sobre o setor de luxo.
Como parte da estratégia de diversificação, a Kering revelou aquisição minoritária da Icicle, marca chinesa em rápido crescimento, mantendo uma abordagem de compras seletiva para qualidade e cadeia de suprimentos.
Também foi confirmada a intenção de ampliar a linha de joias e óculos, áreas que historicamente respondem por menos participação na receita total, buscando maior resiliência diante de ciclos de mercado.
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