- Citi destaca que a América Latina está relativamente bem posicionada diante do choque no Oriente Médio, por fundamentos sólidos, posição de produtora de petróleo e distância geográfica do conflito.
- O cenário base do banco é de recuo dos preços do petróleo a partir de meados de junho, com normalização esperada ao longo do tempo, o que pode absorver o choque via ajustes fiscais.
- Riscos adicionais incluem elevação de juros nos Estados Unidos, que poderia reconfigurar expectativas de política monetária e atuar como grande fator de risco para a região.
- No Brasil, o Banco Central já cortou a taxa básica em março para 14,75% ao ano, e há espaço para nova manobra monetária conforme o cenário se esclarecer; as eleições também aparecem como importante fator fiscal.
- O momento é visto como janela de oportunidades estruturais para a América Latina, com potencial de maior fluxo de capitais se anúncios fiscais pós-eleição sinalizarem credibilidade e medidas claras.
O Citi vê oportunidades para a América Latina em meio ao choque no Oriente Médio. Ernesto Revilla, economista-chefe para a região, aponta fundamentos mais sólidos e posição de produtora de petróleo como fatores de proteção, diante da turbulência global.
Ele ressalta que a distância do conflito e a estrutura produtiva de muitos países latino-americanos ajudam a amenizar o impacto. Também houve melhoria dos fundamentos macroeconômicos, como câmbio flutuante e reservas internacionais mais robustas.
O cenário base do Citi indica recuo dos preços do petróleo a partir de meados de junho, seguido de normalização significativa. O cessar-fogo, mesmo que instável, seria suficiente para reduzir pressões inflacionárias advindas do petróleo.
Riscos e volatilidade
A possibilidade de o conflito se prolongar é o principal risco para a região. Caso haja aumento das butterias e pressões inflacionárias, a volatilidade pode se intensificar, especialmente se o petróleo subir.
Outro fator relevante é a possibilidade de juros mais altos nos EUA. Um choque que leve a reprecificação de expectativas de política monetária externa poderia ser disruptivo para a América Latina, na visão do Citi.
Brasil e Colômbia: cenários fiscais
No Brasil, o banco elogia a atuação do Banco Central, que reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto, para 14,75% ao ano. A instituição é vista como independente e respeitada na condução da política monetária.
Apesar disso, o Citi mantém a projeção de taxa terminal de 12% ao ano para o Brasil, com possibilidade de revisão para cima na próxima rodada. O país ainda enfrenta eleições presidenciais e fiscalização fiscal como desafio, de acordo com Revilla.
Colômbia e Brasil aparecem como sinais de alerta fiscal, segundo o analista. O mercado demanda clareza sobre as políticas públicas após o pleito, o que influencia preços, juros e fluxo de capitais.
Cenário de investimentos e dólar
Revilla destaca que o dólar tem mostrado fraqueza recente, ajudando as moedas latino-americanas. O movimento contraria previsões de aperto com tarifas e turbulências geopolíticas.
A tendência é de que o dólar recupere gradualmente força como moeda de reserva nos próximos 12 meses, afirmou. A região pode se beneficiar de uma janela de oportunidade para atrair investimentos.
Oportunidade estratégica para a região
Com o recuo parcial da dependência externa, os Estados Unidos podem buscar abastecimento fora de suas fronteiras. A América Latina surge como fornecedora de commodities tradicionais, além de lítio, terras raras e manufaturados.
Revilla afirma que o momento favorece a região como destino estruturado de investimentos. A percepção de maior confiança dos mercados dependerá das medidas anunciadas após as eleições.
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