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Dívida corporativa vira jogo de alfa após ciclo de beta

Após juros altos, crédito corporativo enfrenta fragilidades setoriais e maior necessidade de reestruturações, elevando risco para investidores

Daniel Goldberg: “A dimensão dos passivos fora dos resultados das companhias é algo impressionante” — Foto: Carol Carquejeiro
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  • Recuperações judiciais e extrajudiciais crescem e elevam a tensão no mercado de crédito corporativo, com investidores buscando títulos de crédito.
  • Relatório do JPMorgan aponta que, excluindo emissores em default, quase um terço apresenta pressão no balanço; entre os exemplos citados estão Raízen, Ambipar e Braskem.
  • Especialistas veem fragilidades setoriais, não um problema sistêmico, e destacam que o crédito privado cresceu com prazos curtos e custo alto.
  • O início do ciclo de queda de juros pode trazer alívio, com projeções de queda gradual da Selic, que deve chegar a patamar próximo de 10,5% no fim de dois mil e vinte e sete.
  • O mercado secundário cresce, porém a recuperação de créditos inadimplentes continua lenta; spreads de títulos de maior qualidade permanecem distorcidos, exigindo maior prêmio e maior cuidado dos investidores.

A dívida corporativa no Brasil passa por um yet de mudanças, com aumento de reestruturações, cortes de juros e maior prêmio de risco. Investidores migraram para títulos de crédito nos últimos anos, impulsionados por incentivos fiscais e o crescimento de intermediários financeiros.

Relatórios indicam fragilidades setoriais sem indicar um problema sistêmico. Segundo o JP Morgan, quase um terço dos títulos emitidos no exterior por empresas brasileiras apresenta algum grau de pressão no balanço, fora as já em default. Raízen, Braskem e Ambipar são citadas como exemplos.

Especialistas destacam que o crescimento do crédito privado ampliou riscos ocultos. O custo do dinheiro alto e prazos curtos ampliam vulnerabilidades, ainda que o mercado não enxergue deterioração estrutural generalizada. Contingências fora de balanço ganham importância.

Fragilidades setoriais e contingências

Para analistas, o que segue sendo surpresa são compromissos não evidenciados nos balanços. A dimensão de passivos fiscais e trabalhistas fora de balanço no Brasil gera volatilidade quando contingências se materializam, como ocorreu em alguns casos.

Allan Riddell, da KPMG, aponta que juros elevados elevam a alavancagem por queda do Ebitda, não apenas pelo aumento da dívida. Em cenário com dólar estável e demanda, a situação pode se normalizar, mas o custo financeiro permanece incompatível com a geração de caixa.

Perspectivas de juros e impactos no mercado

O ciclo de queda de juros pode aliviar tensões, ainda que a taxa Selic permaneça alta. Projeções indicam queda paulatina até chegar a 10,50% ao fim de 2027, com a Selic em 12,5% no fim de 2026.

Mário Torós, ex-diretor do BC, ressalta que o ritmo de cortes depende da política econômica e de como equilibrar problemas sociais com dívida futura. O ambiente de crédito privado continuará dinâmico, com mais volatilidade e reprecificação rápida.

O mercado também observa o tempo de recuperação de créditos inadimplidos, que tem sido longo. Frederico Maluf, da ARZ Capital, destaca que o tempo médio brasileiro é de quatro anos, frente a aproximadamente um ano nos EUA, o que impacto a percepção de risco.

Amanda Martins, da Canal Securitizadora, enfatiza que o investidor deve entender que quanto maior a taxa, maior o risco. Episódios como o do Banco Master servem de aprendizado para amadurecer o mercado e calibrar prêmios por risco.

As discussões coincidem com uma mudança de foco entre beta e alfa. O gestor busca retornar ganhos com originação e estruturação de operações, distinguindo oportunidades seletivas em meio a um cenário de juros elevados e volatilidade setorial.

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