- Recuperações judiciais e extrajudiciais crescem e elevam a tensão no mercado de crédito corporativo, com investidores buscando títulos de crédito.
- Relatório do JPMorgan aponta que, excluindo emissores em default, quase um terço apresenta pressão no balanço; entre os exemplos citados estão Raízen, Ambipar e Braskem.
- Especialistas veem fragilidades setoriais, não um problema sistêmico, e destacam que o crédito privado cresceu com prazos curtos e custo alto.
- O início do ciclo de queda de juros pode trazer alívio, com projeções de queda gradual da Selic, que deve chegar a patamar próximo de 10,5% no fim de dois mil e vinte e sete.
- O mercado secundário cresce, porém a recuperação de créditos inadimplentes continua lenta; spreads de títulos de maior qualidade permanecem distorcidos, exigindo maior prêmio e maior cuidado dos investidores.
A dívida corporativa no Brasil passa por um yet de mudanças, com aumento de reestruturações, cortes de juros e maior prêmio de risco. Investidores migraram para títulos de crédito nos últimos anos, impulsionados por incentivos fiscais e o crescimento de intermediários financeiros.
Relatórios indicam fragilidades setoriais sem indicar um problema sistêmico. Segundo o JP Morgan, quase um terço dos títulos emitidos no exterior por empresas brasileiras apresenta algum grau de pressão no balanço, fora as já em default. Raízen, Braskem e Ambipar são citadas como exemplos.
Especialistas destacam que o crescimento do crédito privado ampliou riscos ocultos. O custo do dinheiro alto e prazos curtos ampliam vulnerabilidades, ainda que o mercado não enxergue deterioração estrutural generalizada. Contingências fora de balanço ganham importância.
Fragilidades setoriais e contingências
Para analistas, o que segue sendo surpresa são compromissos não evidenciados nos balanços. A dimensão de passivos fiscais e trabalhistas fora de balanço no Brasil gera volatilidade quando contingências se materializam, como ocorreu em alguns casos.
Allan Riddell, da KPMG, aponta que juros elevados elevam a alavancagem por queda do Ebitda, não apenas pelo aumento da dívida. Em cenário com dólar estável e demanda, a situação pode se normalizar, mas o custo financeiro permanece incompatível com a geração de caixa.
Perspectivas de juros e impactos no mercado
O ciclo de queda de juros pode aliviar tensões, ainda que a taxa Selic permaneça alta. Projeções indicam queda paulatina até chegar a 10,50% ao fim de 2027, com a Selic em 12,5% no fim de 2026.
Mário Torós, ex-diretor do BC, ressalta que o ritmo de cortes depende da política econômica e de como equilibrar problemas sociais com dívida futura. O ambiente de crédito privado continuará dinâmico, com mais volatilidade e reprecificação rápida.
O mercado também observa o tempo de recuperação de créditos inadimplidos, que tem sido longo. Frederico Maluf, da ARZ Capital, destaca que o tempo médio brasileiro é de quatro anos, frente a aproximadamente um ano nos EUA, o que impacto a percepção de risco.
Amanda Martins, da Canal Securitizadora, enfatiza que o investidor deve entender que quanto maior a taxa, maior o risco. Episódios como o do Banco Master servem de aprendizado para amadurecer o mercado e calibrar prêmios por risco.
As discussões coincidem com uma mudança de foco entre beta e alfa. O gestor busca retornar ganhos com originação e estruturação de operações, distinguindo oportunidades seletivas em meio a um cenário de juros elevados e volatilidade setorial.
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