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Estudo aponta chance única de Brasil crescer e ganhar relevância global

BCG aponta conjuntura histórica para o Brasil ampliar presença global, mas custo Brasil permanece como entrave

O País conta com recursos naturais e energéticos renováveis, de forma que a matriz de geração é uma das mais limpas do mundo (na foto, Itaipu)
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  • O Brasil vive uma conjunção histórica de fatores que pode elevar o crescimento e a relevância global, segundo estudo do Boston Consulting Group.
  • O relatório aponta seis grandes frentes de crescimento: bioeconomia; minerais críticos; transição energética; cadeias globais de alto valor; inovação digital e serviços globais; e modernização da infraestrutura.
  • Vantagens importantes: economia digital avançada, com 95% da população usando a internet e 70% usando Pix; o país está entre os 15 maiores ecossistemas de startups e entre os 10 com mais unicórnios, com investimentos em data centers que podem quadruplicar até 2030 (US$ 2 bilhões em 2025).
  • No cenário geopolítico, a neutralidade diplomática facilita relações com Estados Unidos, China, Rússia, Europa e Irã, além de avanços como o acordo Mercosul-União Europeia e diálogos com a Índia.
  • Desafios apontados: custo Brasil, necessidade de reformas (incluindo tributária), melhoria de infraestrutura, inovação e acordos comerciais para destravar oportunidades.

O Brasil encara uma conjunção histórica de fatores que pode acelerar o crescimento e aumentar a atuação no cenário global, segundo estudo do Boston Consulting Group (BCG) com entrevistas com empresários brasileiros. O levantamento aponta megatendências globais que podem favorecer o país se aproveitadas com estratégia.

O relatório destaca avanços na economia digital, com 95% dos brasileiros conectados diariamente à internet e 70% usando o Pix, ferramenta de pagamentos instantâneos. O estudo aponta que essa digitalização impulsiona a participação do Brasil em cadeias globais, mesmo diante de desindustrialização recente.

Entre as motivações apontadas, o BCG cita a diversidade de setores, a presença de startups relevantes e a capacidade de atrair investimentos estrangeiros em virtude de relações diplomáticas estáveis com EUA, China, Europa e outros players. O documento ressalta também a importância de manter neutralidade em um cenário geopolítico complexo.

Alternativa geopolítica

O estudo analisa o contexto de conflitos, tarifas e disputas por influência. O Brasil mantém relações diplomáticas saudáveis com grandes economias e com países emergentes, o que reduz riscos de sanções ou de envolvimento em guerras comerciais. Mesmo com tensões tarifárias, como medidas tomadas por alguns governos, há sinais de recuo em certos mecanismos.

O texto destaca que avanços recentes incluem a assinatura de acordo entre Mercosul e União Europeia e diálogos com a Índia. Essas evoluções podem ampliar o espaço brasileiro nas cadeias globais, segundo o BCG, abrindo oportunidades em múltiplos setores.

Para o analista do BCG, Daniel Azevedo, não há previsão de o Brasil se tornar a próxima China, mas é possível ocupar espaços relevantes que hoje não ocupa. Azevedo cita o mercado interno robusto, relações comerciais multilaterais e energia limpa como pilares de atuação.

Seis oportunidades

  • Gerar valor a partir de recursos biológicos, com foco na bioeconomia.
  • Avançar no desenvolvimento de minerais críticos e fortalecer cadeias de valor locais.
  • Liderar a transição energética atraindo indústrias intensivas em energia.
  • Ampliar a inserção em cadeias globais de alto valor agregado.
  • Transformar o Brasil em base de inovação digital e serviços globais.
  • Modernizar infraestrutura para sustentar produtividade e integração logística.

O relatório aponta que o Brasil já demonstra avanços nesses pilares, como uso de ativos biológicos por empresas de referência e anúncios recentes de instalação de data centers. A expectativa é que o uso de energia renovável e a demanda por processamento de dados aumentem esse movimento.

Contudo, os desafios permanecem. A necessidade de ações coordenadas entre setor público e privado, avanços em infraestrutura e acordos comerciais são apontados como cruciais para capturar as oportunidades. O estudo enfatiza que reformas estruturais, especialmente tributárias, são consideradas decisivas para reduzir o chamado custo Brasil, estimado entre R$ 400 bilhões e R$ 480 bilhões por ano.

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