- A queda do tamanho do rebanho nos EUA não explica sozinha o preço da carne, que ficou em $6,86 por libra de carne moída em março.
- Mesmo com menos animais, a produção de carne pode subir por melhorias genéticas e de alimentação, chegando a recordes recentes (28,4 bilhões de libras em 2022).
- Dificuldades para ampliar o rebanho incluem seca persistente, altos custos de alimentação e necessidade de pastagens, com cerca de sessenta e três por cento do rebanho em áreas de estiagem.
- Exportações fortes e o fechamento da fronteira com o México para controlar a praga New World screwworm também ajudam a sustentar preços altos.
- Mesmo que haja interesse em aumentar o plantel, há um atraso de 15 a 24 meses até o bezerro estar pronto para abate, além de custos elevados com insumos e mão de obra.
O rebanho bovino norte-americano segue em baixa, mas os preços da carne ficaram sob pressão de várias frentes. Em Mandan, Dakota do Norte, a fazenda Diamond J Angus planeja o nascimento de cerca de 700 bezerros nesta primavera, e o produtor precisa decidir entre ampliar a criação ou equilibrar o plantel com animais para abate.
Especialistas destacam que a oferta de carne vai além do tamanho do rebanho. Mesmo com menos bovinos, a produção dos EUA atingiu recorde em 2022, devido a avanços genéticos e de alimentação. Projeções apontam para cerca de 26 bilhões de libras de carne em 2026.
A demanda elevada, aliada às exportações, sustenta os preços. Em 2025, o país exportou aproximadamente 2,5 bilhões de libras de carne. A restrição de oferta, associada a esse consumo, favorece valores altos no varejo, como a carne moída in natura.
Limites de pastagem por causa da seca
A seca domina grande parte do território de criação, com cerca de 63% do rebanho em áreas afetadas por estiagem. Condições de chuva escassa e queimadas reduzem a disponibilidade de pasto, aumentando a necessidade de compra de feno e água, elevando custos operacionais.
Para muitos produtores, o custo de alimentação é o principal desafio ao pensar em ampliar o plantel. O transporte de feno e água entre regiões com melhor acesso a recursos agricolas acrescenta despesas significativas, limitando o crescimento do rebanho.
Papel dos processadores e fatores de mercado
O setor frigorífico aponta que os preços ao consumidor são influenciados por varejo e alimentação fora de casa, não apenas pelos abatedouros. A visão é de lucros recentes para produtores e perdas para processadores, com a concentração do setor sendo um tema debatido há décadas.
Analistas destacam que a nova realidade de preços envolve múltiplos fatores, entre eles condições de mercado, custos de produção e decisões estratégicas de fazendas para manter ou expandir o rebanho.
Impacto de barreira sanitária nas importações
A fronteira com o México permanece fechada para o gado destinado à importação, para conter uma praga que afeta o couro. A medida, adotada no fim de 2024, impacta diretamente o setor de confinamento e áreas de pastejo no sul do país, restringindo fluxos de gado entre os dois países.
As autoridades ressaltam que a medida não visa o consumo interno, mas sim a contenção de pragas, com efeitos diretos sobre disponibilidade de gado para o mercado regional.
Perspectivas dos produtores
A pesagem entre manter o herdado e aumentar o plantel depende de custos, condições climáticas e planejamento a longo prazo. Alguns produtores, com terras e maquinários próprios, veem oportunidades de giro, mesmo diante de desafios, enquanto quem entra no setor encontra barreiras significativas.
Produtores ouvidos ressaltam que, embora o preço possa estar mais estável, o ambiente de investimentos permanece exigente. A avaliação de risco envolve condições climáticas, mão de obra e custos logísticos, que ainda pesam na decisão de expandir ou não o rebanho.
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