- Projeção para 2026 indica venda de 46,7 mil máquinas agrícolas, queda de 6,2% ante 2025, impulsionando o quinto ano seguido de retração.
- A Abimaq prevê que o faturamento do setor caia em torno de 8% neste ano.
- Fatores considerados: baixa rentabilidade do produtor rural e dificuldade de acesso a crédito, com a taxa básica de juros em 14,75% ao ano como entrave a novos investimentos.
- Em 2025 houve aumento de importações de máquinas, especialmente da China e da Índia, pressionando a indústria local, com produtos estrangeiros chegando a até 27% mais baratos.
- A Agrishow, de 27 de abril a 1º de maio em Ribeirão Preto, é encarada com otimismo pela indústria, mantendo foco em vendas, financiamento e novidades tecnológicas.
O mercado de máquinas agrícolas caminha para o quinto ano de queda, segundo dados apresentados pela Anfavea e pela Abimaq. A projeção para 2026 aponta venda de 46,7 mil unidades, queda de 6,2% em relação a 2025. O faturamento da indústria deve recuar cerca de 8%, conforme as entidades setoriais.
A piora do cenário é atribuída à queda na rentabilidade do produtor rural e ao acesso restrito ao crédito. A taxa básica de juros, em 14,75% ao ano, é citada como entrave à renovação de frota e a novos investimentos no campo.
A maior feira de tecnologia agrícola da América Latina, a Agrishow, ocorre em Ribeirão Preto (SP), entre 27 de abril e 1º de maio. O setor segue otimista quanto à realização do evento, mesmo com o cenário adverso.
Otimismo do setor e Agrishow
Pedro Estevão, presidente da Câmara Setorial de Máquinas Agrícolas da Abimaq, afirma que a Agrishow funciona como termômetro do mercado e oferece condições especiais de financiamento. Mesmo diante do ambiente desafiador, a feira mantém relevância para o volume de vendas anual.
Ainda segundo Estevão, a edição de 2025 movimentou 14,6 bilhões de reais em intenções de negócios, com crescimento de 7% ante 2024. Para 2026, os organizadores não divulgaram expectativas públicas.
Sequência de quedas e fatores relevantes
Caso as projeções se confirmem, o setor soma o quinto ano de retração em vendas de máquinas. A demanda foi pressionada pela queda nos preços de commodities, como soja e milho, e pela menor oferta de crédito rural. Bancos têm adotado exigências maiores para emprestar, elevando a percepção de risco.
A Anfavea aponta que a maior concorrência de importados, especialmente da China e da Índia, aumenta a pressão sobre fabricantes nacionais. Produtos estrangeiros chegam ao Brasil com preços até 27% inferiores, o que afeta margens locais.
Para a recuperação, a Anfavea ressalta a necessidade de melhora no financiamento e na rentabilidade do campo. Sem isso, a tendência é de continuidade do ritmo mais lento de investimentos, tanto por produtores quanto pelas empresas do setor.
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