- A faixa de remuneração para diretor de ESG no Brasil em 2026 varia entre R$ 24,6 mil e R$ 39,2 mil, avanço de cerca de 12% em relação a 2023.
- Em cargos de menor escalão, os salários vão de R$ 17,6 mil a R$ 24,3 mil para gerentes, de R$ 11,1 mil a R$ 16,7 mil para especialistas e de R$ 6,6 mil a R$ 11 mil para analistas, com alta de 10% a 11% em três anos.
- O mercado busca profissionais que passem do discurso à execução, conectando ações de ESG a resultados financeiros e a governança, gestão de riscos e regulação.
- Perfis mais valorizados são híbridos, com competências em finanças, regulação, gestão de riscos e capacidade de interlocução com reguladores, investidores e outros stakeholders.
- Líderes destacam que a ascensão depende de alinhar ESG à estratégia da empresa, com visão sistêmica e influência, em companhias como Itaú e Elo.
O mercado financeiro brasileiro tem buscado profissionais de ESG que vão além do discurso e passam à prática. Novas demandas apontam para lideranças capazes de conectar ações ambientais, sociais e de governança aos resultados econômicos das instituições.
Dados da série Guia Salarial da Robert Half, compilados para 2026, indicam leve avanço na remuneração de profissionais de ESG no Brasil, com destaque para cargos de liderança. A faixa para diretor de ESG fica entre 24,6 mil e 39,2 mil reais, cerca de 12% acima de 2023.
Entre as posições de menor escalão, os salários variam de 17,6 mil a 24,3 mil reais para gerentes, de 11,1 mil a 16,7 mil para especialistas e de 6,6 mil a 11 mil para analistas. A alta de remuneração nesses níveis ficou entre 10% e 11% em três anos.
O estudo considerou empresas de diferentes portes no mercado financeiro no Brasil, o que pode explicar variações salariais entre pequenas gestoras e grandes bancos. Benefícios como bonificações e remuneração variável não estavam incluídos.
Mudança no perfil
Especialistas consultados ressaltam que o mercado valoriza um perfil não mais pontual, mas com atuação central e prática consolidada. O profissional precisa ter visão de governança, gestão de riscos e capacidade de interlocução com reguladores, investidores e outros públicos externos.
Segundo a Korn Ferry, o rendimento do cargo está cada vez mais ligado à senioridade, complexidade do escopo e maturidade da agenda ESG na empresa. Entre as competências destacadas estão transitar entre áreas, influenciar sem autoridade formal e alinhar sustentabilidade, regulação e estratégia.
Essa mudança amplia o leque de setores que recrutam especialistas, incluindo saúde, energia, infraestrutura, tecnologia, telecomunicações e bens de consumo, de acordo com executivas ouvidas pelo Estadão. O objetivo é investir em lideranças que conectem objetivos ESG a resultados financeiros.
Lideranças em ESG no topo
Lideranças do setor ressaltam que o desafio está em alinhar temas da área com a estratégia de negócios. Executivas de bancos destacam a necessidade de integrar o ESG ao núcleo da estratégia como motor de inovação e eficiência.
Profissionais que lideram áreas de ESG precisam demonstrar clareza para traduzir métricas técnicas em argumentos que gerem valor para o negócio, segundo referências do setor. A comunicação eficaz com stakeholders externos também é apontada como fundamental.
Para a diretora de Relações Institucionais e Sustentabilidade do Itaú, a integração do ESG com a estratégia é essencial para a perenidade da instituição. Já a diretora de Pessoas & Cultura e ESG da Elo destaca a importância de influenciar decisões que direcionem capital e inovação.
Entre na conversa da comunidade