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Terroir tropical: os bastidores da emergente cena de vinhos de Bali

Vinho balinês ganha espaço com bares em alta e mudança de hábitos, expandindo a viticultura na ilha

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  • Bali vive uma expansão da cultura do vinho, com novos bares e restaurantes surgindo e o número de vinícolas passando de 10 em 2010 para 16 hoje.
  • A maior parte das vinhas fica na região de Buleleng, no noroeste, onde altitude e ventos do oceano ajudam a temperar o clima e a maturação das uvas.
  • Hatten Wines, criada em 1994 por Ida Bagus Rai Budarasa, produz rosés, brancos, vermelhos e espumantes em 50 hectares e já foi eleita Winery of the Year em 2017.
  • Sababay winery, fundada em 2010 por Evy Gozali e Mulyati, soma mais de 30 prêmios internacionais e hoje atende em parceria com Belle Ubud.
  • Sommelier Minyoung Ryu diz que o público antes era cético, mas hoje demonstra curiosidade por vinhos locais; no Desa Potato Head, o vinho balinês é servido em quatro dos oito espaços.

Bali está vivenciando uma guinada na produção e no consumo de vinhos, impulsionada pela demanda de bares e restaurantes e por mudanças na percepção dos consumidores. Em 2024, a sommelière sul-coreana Minyoung Ryu chegou ao Desa Potato Head para atuar como head sommelier, trazendo uma visão internacional para a cena local.

Inicialmente cética quanto ao potencial vitivinícola da ilha, Ryu observou que o acesso a vinhos estrangeiros continua dificultado por impostos altos, o que eleva preços em Balé hotelaria e lazer. Ainda assim, o interesse por vinhos locais tem aumentado, com novos estabelecimentos voltados ao produto Brasil em Berawa, Ubud e Uluwatu fortalecendo a oferta.

A produção de Bali vem se consolidando. A zona de Buleleng, no noroeste da ilha, concentra as vinhas em altitudes que favorecem o resfriamento e a mineralidade dos rendimentos. O terreno vulcânico fornece nutrientes, contribuindo para a singularidade dos espumantes, brancos e tintos locais.

Hatten Wines marcou o início da trajetória da vitivinicultura balinesa ao abrir em 1994 a primeira vinícola da região. A casa utiliza variedades internacionais e locais, colhe até três vezes ao ano e produz rótulos diversos, incluindo rosés, brancos, tintos e espumantes, com visitação em Sanur.

Outra referência é Sababay, fundada em 2010 por Evy Gozali e Mulyati, que atua com apoiadores locais e parceria com o Bordeaux winemaker Guillaume Quéron. A empresa soma dezenas de prêmios internacionais e mantém atuação próxima a Belle Ubud, bar de vinhos que serve rótulos de várias origens.

Paralelamente, o interesse pelo vinho indonésio já aparece como tema de conversa em jantares, sinalizando evolução na aceitação do público. Proprietários e gestores destacam que o começo foi marcado por escolhas seguras, mas há abertura para experimentar rótulos locais.

Sababay tem destacado a relação entre vinhos e culinária balinesa. A equipe enfatiza que brancos de alta acidez, como Riesling seco e Sauvignon Blanc, combinam com pratos típicos da região, que costumam ser robustos e apimentados. Essa linha de harmonização tem sido usada como argumento de venda para o público local.

Em termos de mercado, o crescimento de produtores passa de 10, em 2010, para 16 ativos hoje, refletindo um setor em expansão. A partir dessa tendência, produtores e estabelecimentos apostam em experiências de degustação, rotas de vinho e eventos para consolidar Bali como destino não apenas de praias, mas também de vinhos locais.

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