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36% da população investe, 107 milhões ainda fora do mercado, aponta Anbima

Anbima: 107,7 milhões não investem; educação financeira desigual e crescimento de fraudes elevam riscos para o mercado brasileiro

Foto: Reprodução/Anbima
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  • 36% da população investe em algum produto financeiro, o que corresponde a 60,6 milhões; 107,7 milhões não investem.
  • A falta de reserva financeira é um desafio: 31% não têm nenhuma reserva; 10% têm reserva para menos de uma semana e 10% conseguem cobrir até um mês de despesas. A desigualdade é evidente entre as classes econômicas.
  • A poupança continua sendo o investimento mais utilizado (22%), seguida por títulos privados (7%), fundos de investimento (5%), criptomoedas (4%), ações (2%), títulos públicos (2%) e previdência privada (2%).
  • Bancos tradicionais permanecem como principal canal de investimento (73,67%), enquanto bancos digitais atingem 38,87% de uso; há diferença por classe social, com maior adoção de digitais entre A/B (52,3%) e menor entre D/E (22,6%).
  • A internet se firmou como principal meio de investir (63% online em 2025), com queda do atendimento presencial; cerca de um terço da população já foi vítima de fraude financeira, envolvendo phishing, lojas falsas, clonagem de WhatsApp, boletos e Pix.

O estudo Raio X do investidor brasileiro 2026, da Anbima, aponta que 36% da população investe em algum produto financeiro, ou 60,6 milhões de pessoas. Ainda assim, 107,7 milhões não investem. A pesquisa ouviu 5.832 pessoas com 16 anos ou mais, representando 168,1 milhões de brasileiros.

O levantamento destaca avanços no conhecimento sobre investimentos, mas revela desafios como a falta de reserva financeira, o crescimento de apostas de maior risco e desigualdades de acesso à educação financeira.

Dados-chave sobre reserva financeira

A principal dificuldade apontada é a ausência de reserva. 31% não têm nenhuma reserva; 10% têm menos de uma semana; 10% cobrem até um mês de despesas. Apenas 15% têm de seis meses a um ano guardados; 3% têm mais de cinco anos.

Entre as classes, a falta de reserva é mais alta na D/E (48%) e menor na A/B (13%), revelando desigualdade de acesso a colchões financeiros.

Poupança ainda domina investimentos

Apesar da diversificação, a poupança continua sendo o investimento mais usado, com 22% de participação. Títulos privados aparecem em 7%, fundos de investimento em 5%, e criptomoedas em 4%.

A participação da poupança tem recuado nos últimos anos, especialmente entre investidores de renda mais alta.

Canais de investimento e acesso

Bancos tradicionais seguem como principal canal de investimento, usados por 73,67% dos investidores em 2025. Bancos digitais aparecem em 38,87%, com maior adoção na classe A/B (52,3%) e menor na D/E (22,6%).

A internet consolidou-se como principal meio de investir, com 63% investindo online em 2025, frente a 48% em 2021. Atendentes presenciais caíram de 43% para 32%.

Fontes de informação e influência

Para informações sobre investimentos, plataformas digitais são as mais utilizadas: YouTube (35%), Instagram (27%), televisão (21%), buscadores (20%) e portais (15%). WhatsApp soma 15% e podcasts, 13%.

O estudo aponta 904 finfluencers ativos, com 468 mil publicações e mais de 1,3 bilhão de interações.

Riscos e planejamento de longo prazo

Um terço da população já foi vítima de fraude financeira, com golpes comuns como phishing, lojas falsas, WhatsApp clonado, boletos e Pix após roubo de celular.

Sobre aposentadoria, 16% já poupam, 27% pretendem começar e 57% não planejam iniciar. Onde há reserva, predomina a poupança, títulos privados e fundos.

Perspectivas e educação financeira

Mesmo com desafios, há expectativa de expansão gradual de investidores: 23,2 milhões podem começar a investir, enquanto 14,5 milhões podem deixar o mercado, resultando em um saldo de 8,7 milhões de novos participantes.

A projeção reforça que educação financeira e acesso a produtos de investimento serão determinantes para o futuro do mercado.

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