- Quase 40% dos projetos de data centers nos EUA correm risco de atraso neste ano, segundo a SynMax.
- Grandes obras para Microsoft, OpenAI e outros podem atrasar mais de três meses devido a entraves burocráticos, falta de mão de obra, energia e equipamentos.
- Projetos de grande escala, com demanda de pelo menos 1 gigawatt, enfrentam gargalos que dificultam transformar investimento em receita de IA.
- Um exemplo é o complexo de 1,4 gigawatt no condado de Shackelford, Texas, ligado à Oracle; entrega mais cedo possível estimada para dezembro, mas pode se estender até o fim de 2027.
- A SynMax aponta que mais de 60% dos projetos para o próximo ano ainda nem começaram, elevando preocupações sobre o ritmo de expansão.
Quase 40% dos projetos de novos data centers previstos para este ano nos Estados Unidos correm risco de atraso. As obras afetam gigantes como Microsoft, OpenAI e outros grupos de tecnologia, segundo dados obtidos pela Folha via SynMax, empresa de análise por satélite. O atraso pode comprometer a expansão da IA no curto prazo.
Os gargalos envolvem entraves burocráticos, escassez de mão de obra qualificada, energia e equipamentos. Complexos de processamento cada vez maiores consomem centenas de megawatts, o que eleva a pressão sobre redes elétricas e cadeias de suprimentos. O objetivo é sustentar a demanda de serviços de IA de grandes plataformas.
Entre os projetos mais citados estão empreendimentos da Microsoft, da OpenAI e de parceiros de infraestrutura. Em alguns casos, obras com capacidade de pelo menos 1 gigawatt de energia devem ser concluídas ainda neste ano, de acordo com a Epoch, empresa de pesquisa.
No Texas, um complexo de 1,4 gigawatt destinado à Oracle e à OpenAI envolve quase 500 hectares e dez edifícios. A construção em Shackelford avança com ritmo desigual, com a primeira entrega prevista para 2026, enquanto a entrega de todo o conjunto pode se estender para 2027.
Ainda no Texas, em Milam, outro grande projeto da OpenAI mostra progresso restrito em imagens de satélite, com apenas uma instalação em operação até o momento. Entre as iniciativas no estado, Abilene tem maior probabilidade de ficar pronta neste ano.
Diversas empresas confirmam planos de avanço, mas não dão sinais de atraso irreversível. A OpenAI afirma estar em expansão de data centers conforme cronograma, com parcerias com Oracle, SB Energy e outros, para unidades em Abilene, Shackelford e Milam. A Oracle sustenta que cada data center avança dentro do prazo.
A SB Energy acrescenta que o centro em Milam está no cronograma e pode se tornar um dos mais rápidos de sua categoria. Executivos do setor apontam que a falta de trabalhadores especializados e a sobrecarga de redes elétricas atrapalham o ritmo das obras.
A Nebius, responsável por parte da capacidade para a Microsoft, tem impedimentos adicionais como licenciamento e resistência local, com consultas públicas que costumam prolongar prazos. A empresa, porém, afirma que entregas anteriores ocorreram dentro do esperado.
Estimativas da SynMax indicam que mais de 60% dos projetos para o ano que vem ainda não começaram a ser erguidos, o que exacerba a preocupação com o crescimento do setor. Especialistas apontam que a pressão por velocidade esbarra na regulação e na complexidade logística.
No campo da construção, há sinais de competição elevada entre fornecedores que atendem ao mesmo cliente, o que pode elevar custos e prazos. A indústria continua monitorando a relação entre investimento em IA e capacidade de entrega de infraestrutura crítica.
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