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Bancos e empresários aportam R$ 142,5 milhões em debêntures, segundo Estadão

Itaú, Bradesco e Santander aportam R$ 142,5 milhões em debêntures do Estadão; investidores passam a influenciar o conselho e a linha editorial

Fachada Estadão
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  • Doze empresas investiram 142,5 milhões de reais em debêntures no Estadão, incluindo Itaú, Bradesco, Santander e mais nove empresários.
  • A emissão foi anunciada em 2024; os recursos foram dados como empréstimos de longo prazo, com início de pagamento previsto para 2034 e possibilidade de prorrogação até 2044.
  • Após o aporte, investidores passaram a influenciar decisões do jornal, incluindo a saída da CEO da família Mesquita e participação no conselho de administração.
  • A operação foi liderada por Rubens Ometto, da Cosan, que investiu 15 milhões; a Cosan entrou em recuperação judicial pouco depois.
  • A segunda rodada captou 97,5 milhões por meio do Província Fundo de Investimento e da Cutrale; Suzano e Safra apoiaram por meio de publicidade; houve entrada de representantes no conselho, como Marcos Bologna (Galápagos) e Carlos Fonseca.

Dois bancos grandes e dez empresários aportaram 142,5 milhões de reais em debêntures do Estadão, em duas etapas, segundo documentos obtidos pelo Metrópoles. A operação envolveu Itaú, Bradesco, Santander e mais nove empresas, por meio de debêntures de longo prazo.

Os aportes foram anunciados pelo Estadão em 2024, mas sem divulgação pública dos financiadores aos assinantes. Os recursos foram contabilizados como empréstimos com vencimento inicial em 2034, podendo chegar a 2044.

O jornal vem registrando déficits há anos. O balanço de 2025 apontou prejuízo de 16,8 milhões e, ao longo de 2024, a dívida consolidada somou 159 milhões de reais. O empreendimento visa manter a operação do veículo diante da crise financeira.

Quem investiu

Três bancos — Itaú, Bradesco e Santander — participaram da primeira rodada, cada um com 15 milhões de reais. A Trustee DTVM atua como agente fiduciário nesse lote de 45 milhões. O Estadão adiou o pagamento do principal para 2034, com possibilidade de prorrogação até 2044.

A segunda rodada totalizou 97,5 milhões de reais via Província Fundo de Investimento e Cutrale. Entre as contribuições, Cosan, Hapvida, Votorantim, Ultra, Unipar, Pátria Investimentos, JHSF, Galápagos Capital e Santalice Administradora (Cutrale) aparecem com valores que variam entre 7,5 e 15 milhões de reais.

Apesar dos aportes, Suzano e Safra entraram por meio de publicidade, não como investidores diretos. Após a operação, um representante dos financiadores passou a integrar o conselho do Estadão.

Consequências e contexto

Rubens Ometto, proprietário da Cosan, liderou a captação com 15 milhões de reais. Um ano após o aporte, a Cosan entrou em recuperação judicial, com parte da empresa adquirida por André Esteves, do BTG. Marcos Bologna, da Galápagos, e Carlos Fonseca, ex-sócio de Esteves, entraram no conselho.

O Estadão declarou não responder a questionamentos sobre os investidores. A segunda rodada envolveu empresas de setores variados, incluindo indústria de alimentos, construção e gestão de ativos. A operação não se trata de patrocínio, mas de financiamento direto ao veículo de comunicação.

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