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Compra de ações do BRB por empresas ligadas ao Master envolve fraude

Prisões na 4ª fase da Compliance Zero ligam compra de ações do BRB a fundos ligados ao Master, usados para ampliar ativos do banco com aumentos de capital

Compra de ações do BRB por empresas ligadas ao Master fazia parte de esquema fraudulento — Foto: Julia Aguiar/Agência O Globo
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  • Prisões decretadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, na 4ª fase da operação Compliance Zero, envolvem compra de ações do BRB por empresas e fundos ligados ao Banco Master, incluindo Daniel Vorcaro.
  • A acusação afirma que os aumentos de capital do BRB em dois mil e vinte e quatro e dois mil e vinte e cinco tinham o objetivo de incentivar a compra de ativos do Master, com fundos e pessoas ligadas ao ecossistema atuando como “laranjas”.
  • Ao fim de dois mil e vinte e cinco, cerca de vinte e três vírgula cinco por cento do capital social do BRB estaria sob controle de acionistas ligados a pessoas ou entidades mencionadas em investigações ou procedimentos regulatórios relacionados ao Master.
  • Novos suspeitos surgem no levantamento: Valério Marega Junior, da WNT Gestora, e Cesar Reginato Ligeiro, da Base Securitizadora; Marega estaria por trás dos fundos Segóvia e Almeria.
  • Em dois mil e vinte e quatro, o BRB buscava levantar setecentos e cinquenta milhões de reais, porém apenas os fundos Borneo e Cabruíva ingressaram efetivamente; Delta entrou em um momento posterior.

As prisões decretadas pelo ministro do STF André Mendonça, na 4ª fase da operação Compliance Zero, estão ligadas à compra de ações do Banco de Brasília (BRB) por empresas ligadas ao Banco Master, do empresário Daniel Vorcaro. Documentos de origem interna do BRB ajudam a esclarecer o papel de fundos orbitando o Master na estratégia de aumento de capital do BRB.

A acusação aponta que o movimento visava sustentar a aquisição de ativos do Master e manter a estrutura de controle entre fundos e pessoas ligadas ao ecossistema Master/Reag. Entre os citados estão fundos e entidades que teriam atuado como laranjas. O BRB aponta que os aumentos de capital teriam promovido a concentração de ativos vinculados a esse grupo.

Segundo a gestão atual do BRB, até o fim de 2025 cerca de 23,5% do capital social do BRB estaria sob controle ou influência de acionistas com vínculos com o Master, a Reag ou entidades associadas. A defesa sustenta que parte dessas participações veio de estruturas já existentes, com movimentações em fundos organizados em cascata.

Novos nomes aparecem nos documentos: Valério Marega Junior, da WNT Gestora, e Cesar Reginato Ligeiro, da Base Securitizadora, teriam também interesse em participar do aumento de capital. Marega seria beneficiário por trás dos fundos Segóvia e Almeria, de acordo com a acusação, enquanto Ligeiro nega participação societária na Base desde 2022.

Em julho de 2024, quando o BRB buscava um primeiro aumento de capital de R$ 750 milhões, mensagens internas indicavam a entrada de cinco fundos com aportes de até R$ 150 milhões cada. Entre eles, Segóvia, Almeria, Delta, Borneo e Cabreúva, sendo apenas Borneo e Cabreúva efetivos compradores na ocasião.

A defesa de Cesar Ligeiro afirmou que não participa de operações de aumento de capital e que atua dentro da lei e da governança corporativa. A Base Securitizadora também negou participação no aumento, classificando as informações como falsas. Marega disse não possuir cotas nos fundos mencionados nem atuar na gestão.

O Delta entrou no capital em uma segunda etapa, com origem de recursos do Astralo 95. O aporte foi viabilizado por meio de um empréstimo de R$ 55,2 milhões obtido pela Cartos SCD, e contou com participação de um advogado próximo aos investigados, Daniel Lopes Monteiro, que também foi preso.

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