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Indústria aposta no papel para substituir o plástico

Em substituição gradual, papel avança como opção sustentável em embalagens, mas plástico permanece relevante em aplicações com alta barreira e custo

O debate sobre papel e plástico vai além dos materiais em si (Coca-Cola/Divulgação)
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  • Empresas Klabin, Suzano e Tetra Pak apontam que o papel pode atuar como protagonista em embalagens mais sustentáveis, especialmente para alimentos, bens de consumo e e-commerce, mantendo qualidade e segurança.
  • A Tetra Pak usa papel como base, mas mantém plástico e alumínio nas embalagens longa vida; investe cerca de 100 milhões de euros por ano em tecnologias de embalagem, como a ReAl, que separa plástico do alumínio na reciclagem.
  • A Klabin lançou inovações como o Klamulti, um papel-cartão para multipacks com celulose microfibrilada, além de vasos de papel resistentes e copos que substituem o plástico.
  • A Braskem alerta que a substituição total nem sempre reduz emissões: estudo aponta que, em muitas aplicações, o plástico pode ter menor impacto ambiental ao longo do ciclo de vida; a empresa aposta na circularidade e em plásticos bio-based.
  • O consenso é de coexistência: substituição gradual em algumas aplicações, com papel ganhando espaço na estrutura da embalagem e o plástico mantendo funções em outras; marco regulatório brasileiro Decreto nº 12.688/2025 impulsiona logística reversa e conteúdo reciclado.

O debate sobre papel e plástico ganhou nova dinâmica diante da pressão ambiental sobre o plástico de uso único. Empresas de embalagens passam a enxergar no papel não apenas uma alternativa, mas um caminho estratégico de sustentabilidade e diferenciação no mercado.

A Klabin afirma que o papel já é protagonista na transição, especialmente em embalagens de uso único. A companhia ressalta que o papel vem de florestas certificadas, é reciclável e integra uma cadeia de reciclagem consolidada no Brasil.

A Suzano compartilha visão semelhante e aponta que o avanço técnico permite materiais funcionais com barreiras biodegradáveis. O portfólio inclui soluções para bebidas, alimentos e e-commerce, com foco em reduzir o uso de plástico sem sacrificar desempenho.

Papel avança, mas o plástico mantém papel central

A Tetra Pak observa que o papel continua sendo a base de suas embalagens longa vida, com camadas que combinam papel, plástico e alumínio para proteção. A empresa investe em tecnologia para manter funcionalidade e reduzir impactos, inclusive com plástico derivado de cana-de-açúcar.

Entre as inovações, o mercado destaca o uso de até 91% de conteúdo renovável em algumas caixas, com certificações internacionais que atestam sustentabilidade. A ideia é ampliar a economia circular sem perder segurança alimentar.

O que o papel já entrega e onde encontra limites

Avanços como o Klamulti, da Klabin, fortalecem a resistência de embalagens de papel com menor gramatura. Produtos para alimentos resistem a gordura e umidade, com opções que são recicláveis, biodegradáveis e compostáveis.

Ainda assim, limitações existem. Em aplicações com alta barreira à umidade e gordura, o papel precisa de revestimentos específicos, e o plástico pode sair mais econômico em certos casos.

Braskem alerta para equilíbrio e impactos

Braskem destaca estudos que indicam que o plástico pode apresentar menor emissão de gases de efeito estufa ao longo do ciclo de vida em várias aplicações. A companhia ressalta também a importância da cadeia de reciclagem, onde o plástico sustenta renda de cooperativas.

A empresa reforça que a substituição completa não é imediata e defende a circularidade, com resinas renováveis e projetos que reduzem emissões. O objetivo é combinar materiais de forma mais eficiente e sustentável.

Regulação e perspectivas para o futuro

No Brasil, o Decreto 12.688/2025 avança com logística reversa e conteúdo reciclado pós-consumo em embalagens plásticas. O objetivo é consolidar responsabilidade compartilhada e ampliar a recuperação de resíduos.

Analistas apontam que o ambiente regulatório precisa andar junto com inovação para estimular escalas de produção e transição gradual. A expectativa é que o equilíbrio entre papel e plástico opere onde cada material tem vantagem.

Conclusão provisória

Não há vencedor único no debate. O cenário aponta para convivência entre papel e plástico, com migração gradual em aplicações viáveis tecnicamente e economicamente. A solução provável envolve escolher o material mais eficiente para cada função.

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