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Paulo Guedes critica orçamento do governo como “fiscal pandêmico”

Ex-ministro Paulo Guedes aponta gasto governamental elevado como “fiscal pandêmico sem pandemia”, alertando para juros altos e redução de investimentos

O ex-ministro da Fazenda Paulo Guedes durante evento em São Paulo, em 17 de abril de 2026
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  • Paulo Guedes criticou a condução da política econômica atual, chamando o gasto público de “fiscal pandêmico sem pandemia” e dizendo que o país abandonou a estrutura de superávits consolidados.
  • Ele lembrou que, ao fim de 2022, a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) ficou em 71,7% do PIB; em fevereiro de 2026, alcançou 79,2% do PIB.
  • Segundo Guedes, quando o fiscal é forte, a moeda fica suave e os juros baixos; com fiscal frouxo, o freio monetário aumenta e desorquestra investimentos.
  • O ex-ministro citou o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027, que aponta a DBGG chegando a 87,8% do PIB, com a dívida mantendo patamares elevados nos próximos anos.
  • O monitor Fiscal do Fundo Monetário Internacional aponta que a dívida pode chegar a 100% do PIB já no primeiro ano do próximo governo, segundo projeções citadas.

O ex-ministro da Economia Paulo Guedes criticou a condução da política econômica atual, chamando-a de fiscal pandêmico sem pandemia. Em palestra em São Paulo, ele afirmou que o Brasil abandonou regras de superávits consolidados para manter gastos elevados, mesmo após a pandemia.

Guedes destacou o legado de sua gestão, lembrando que encerrou o mandato com a Dívida Bruta do Governo Geral em 71,7% do PIB em 2022. Segundo dados do Banco Central, o índice subiu para 79,2% em 2026, com pico de 86,9% em 2020 e 77,3% em 2021.

O ex-ministro ressaltou que, quando o fiscal é forte, a moeda tende a ser mais estável e os juros baixos. Segundo ele, a frouxidão fiscal atual força o freio monetário e eleva juros, prejudicando investimentos e crédito.

Guedes afirmou que o governo atual gasta mais do que o dele, mantendo um que chamou de fiscal pandêmico sem pandemia. Na visão dele, essa trajetória pode comprometer o crescimento estrutural acima de 3% ao ano.

Para ele, a consequência direta desse cenário é a alta dos juros, que afeta a produção e setores produtivos. Ele citou impactos sobre investimento privado, crédito, consumo e a indústria nascente.

Contexto fiscal e projeções

O PLDO de 2027 aponta dívidas públicas em patamar elevado no longo prazo, com pico estimado para 2029 em 87,8% do PIB. Dados do Monitor Fiscal do FMI indicam possibilidade de 100% do PIB em um ano do próximo governo.

Cenário político

O senador Flávio Bolsonaro disse que repassaria adiante as medidas de Guedes se houver governo próximo ao legado do ex-ministro. Em 24 de março, Flávio também sinalizou continuidade, em evento de filiação de Sérgio Moro ao PL.

Guedes, no entanto, afastou qualquer pretensão de candidatura, afirmando não ter interesse em entrar na política, nem disputando cargo eletivo.

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