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Vorcaro tentou usar recursos do Máxima para comprar banco que viraria Master

Voto do Banco Central aponta triangulação de recursos para compra do Máxima, com aporte de 15,4 milhões do Fundo Garantidor de Crédito, vigilância sobre capacidade financeira

Exclusivo: Vorcaro tentou usar dinheiro do próprio Máxima para comprar banco que viraria o Master — Foto: Victor Moriyama/Bloomberg
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  • O Banco Máxima, hoje Master, foi alvo de tentativas de Vorcaro de usar recursos do próprio banco para adquirir o controle, conforme voto do BC na gestão Ilan Goldfajn.
  • Em dezembro de 2017, Vorcaro recebeu aporte de R$ 15,447 milhões do Fundo Garantidor de Crédito para comprar participação no Máxima, com a origem dos recursos ligada ao próprio banco e a empresas do empresário.
  • O primeiro voto do BC, em janeiro de 2019, rejeitou a compra por falta de comprovação da origem dos recursos e por não demonstrar capacidade financeira.
  • Em outubro de 2019, o BC autorizou a compra em um segundo voto (218/2019), após reavaliação que considerou as projeções e a compatibilidade dos recursos com os resultados de Vorcaro até 2018.
  • A matéria aponta triangulação de recursos entre o Máxima, empresas de Vorcaro e fundos de investimento; a reputação do candidato já havia sido previamente analisada e aprovada pela autarquia.

O Banco Central avaliou a tentativa de Daniel Vorcaro de comprar o Banco Máxima, que viraria Master, com recursos de origem atribulada. O foco da apuração foi a possível triangulação financeira entre Vorcaro, o próprio Máxima e fundos de investimento, em especial em 2019.

Relatórios obtidos pelo Valor indicam que, em dezembro de 2017, houve aporte de aproximadamente R$ 15,447 milhões do FGC para comprar participação no Máxima. A transação envolveu transferências entre o banco, empresas de Vorcaro e fundos de investimento.

Os documentos mostram que, no primeiro pleito, o BC rejeitou a aquisição por falta de comprovação da origem do dinheiro e por dúvidas sobre a capacidade financeira de Vorcaro. A gestão anterior, sob Ilan Goldfajn, aponta sinais de que parte dos recursos teria origem no próprio Máxima.

Contexto financeiro e origem dos recursos

O voto 20/2019, assinado por Sidnei Corrêa Marques, ressalta que a maior parte dos recursos para a compra teria origem no Banco Máxima, por meio de transferências entre a instituição, empresas ligadas a Vorcaro e fundos de investimento. A avaliação apontou aportes de capital de 2019 totalizando cerca de R$ 100 milhões.

Na avaliação sobre capacidade financeira, o BC revisou o acervo patrimonial de Vorcaro. A diretoria observou que projeções de caixa e laudos de investimentos já não haviam sido plenamente considerados na análise anterior, o que motivou nova avaliação pelo Deorf.

O segundo voto, de 2019, autorizou a compra do Máxima, mas o registro público não detalha integralmente a origem de todos os recursos, pois trechos com dados bancários e fiscais permanecem sob sigilo. As informações disponíveis indicam que a apropriação de recursos foi reavaliada pela autarquia.

A documentação mostra que, no período, houve valorização de ativos de empresas ligadas a Vorcaro, com ganhos que financiaram aportes no Brazil Realty, fundo ligado à operação de participação no Máxima. O processo também envolve a atuação do fundo Viking Participações, relacionado a ativos de Vorcaro.

A atuação do BC gerou debate sobre reputação e capacidade de Vorcaro. Embora tenha sido aprovado para atuar como diretor na instituição, o histórico passou a ser avaliado com maior rigor, especialmente diante de denúncias externas ao âmbito regulatório.

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