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Brasil depende de fertilizantes importados; relação com Irã, China e Rússia

Restrições de exportação da China e da Rússia elevam preços de fertilizantes, ampliando a dependência brasileira de insumos importados e o risco inflacionário para alimentos

Xi Jinping e Vladimir Putin, ditadores da China e Rússia: países ampliam parceria em meio à guerra (Foto: EFE/EPA/MIKHAIL METZEL/SPUTNIK/KREMLIN/POOL)
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  • A ureia, principal fertilizante, chegou a US$ 710 por tonelada no porto brasileiro, alta de cerca de cinquenta por cento em um mês, com frete encarecido e atrasos devido aos conflitos no Mar Vermelho.
  • A Rússia suspendeu temporariamente as exportações de nitrato de amônio e a China restringiu fertilizantes fosfatados, para priorizar mercados internos e reduzir impactos sobre o setor agropecuário global.
  • A Rússia foi responsável por cerca de vinte e cinco vírgula nove por cento dos insumos químicos importados pelo Brasil em dois mil e vinte e cinco; a China responde por até quarenta milhões de toneladas de fertilizantes sob bloqueio ou cotas.
  • A perspectiva é de pressão inflacionária de alimentos se o quadro persistir até a segunda metade do ano, afetando o início do plantio da safrinha de dois mil e vinte e sete, com atrasos de fornecimento e custos maiores.
  • O Plano Nacional de Fertilizantes segue sem avanços relevantes, mantendo o Brasil com mais de oitenta por cento de fertilizantes importados, o que aumenta a vulnerabilidade a choques externos.

O Brasil depende cada vez mais de fertilizantes importados para a safra. O aumento do preço da ureia, impulsionado por conflitos no Oriente Médio, e novas restrições de exportação de China e Rússia elevam o custo de insumos básicos. O cenário pode pressionar os preços de alimentos na próxima safra.

A ureia atingiu 710 dólares por tonelada no porto brasileiro, segundo o Itaú BBA, com alta de 50% em 30 dias. Outros nitrogenados e rocha fosfática também subiram, enquanto falhas logísticas no Mar Vermelho acrescentaram até 15 dias ao frete.

Rússia e China restringem exportação

A Rússia suspendeu temporariamente as exportações de nitrato de amônio, e a China reduziu o envio de fertilizantes fosfatados. As medidas visam priorizar mercados internos, mas reduzem a oferta global e ampliam a volatilidade de preços.

A Rússia responde por cerca de 25,9% dos insumos químicos importados pelo Brasil em 2025, segundo o MDIC. A China, terceira maior fornecedora, mantém controles que podem abranger até 40 milhões de toneladas de químicos com restrições.

Cenário de risco para inflação

O efeito imediato sobre o agronegócio brasileiro ainda é limitado, pois parte dos insumos já foi comprada. A dúvida é se o quadro persistir até o segundo semestre, elevando custos na próxima safra.

Analistas apontam risco de inflação de alimentos se as demandas não normalizarem. Em maio, autoridades sinalizam possível continuidade de alta de preços internos e de frete, com impacto nas margens do setor.

Plano Nacional de Fertilizantes estagna

O país permanece dependente de importações, embora haja meta de reduzir a dependência externa de 85% para 45–50% até 2050. Nos anos iniciais, não houve progresso significativo na implementação do Plano Nacional de Fertilizantes.

A senadora Tereza Cristina critica a falta de avanço, destacando que a dependência supera 80% e que não houve criação de comitê de crise para monitorar cenários de desabastecimento ou pressões de preço.

Desafios da produção interna

A competitividade interna é dificultada por entraves estruturais. O custo do gás natural para nitrogenados é muito alto no Brasil, chegando a até 14 dólares por MMBtu, frente a 2–4 dólares em outros países.

Projetos de potássio enfrentam obstáculos regulatórios e disputas legais. A tributação na cadeia produtiva também eleva o custo de fertilizantes nacionais em comparação aos importados, desestimulando investimentos locais.

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