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Brasil tem 3º cigarro mais barato da América do Sul e fumantes voltam a crescer

Mesmo com alta para R$ 7,50, Brasil passa a ter o 3º cigarro mais barato da América do Sul; taxa de fumantes volta a crescer para 11,6%

Fumo mata milhares de pessoas por ano no Brasil — Foto: Kin Cheung/AP
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  • O preço mínimo do cigarro subiu de R$ 6,50 para R$ 7,50, em 2026, como compensação a elevados custos com combustíveis.
  • Mesmo com o aumento, o Brasil continua com o 3º menor preço do cigarro na América do Sul.
  • Em 2024, a prevalência de fumantes cresceu pela primeira vez em duas décadas, de 9,3% para 11,6%.
  • Estudo do Inca aponta que os gastos do SUS com doenças ligadas ao tabaco superam a arrecadação de impostos sobre o setor.
  • Especialistas defendem reajustes contínuos de preço para reduzir o consumo, citando a necessidade de medidas mais robustas além da inflação.

O governo informou novo aumento no preço mínimo do cigarro no Brasil, que passa de R$ 6,50 para R$ 7,50. A mudança busca compensar parte dos custos da guerra no Oriente Médio no preço dos combustíveis, segundo o governo. Especialistas, porém, avaliam que o reajuste é insuficiente diante do cenário atual.

Mesmo com a alta anunciada, o Brasil continua com o terceiro menor preço do cigarro na América do Sul, segundo dados da OMS atualizados recentemente. A prática de reajustes anuais, mantida até 2015, é apontada por pesquisadores como fundamental para reduzir o consumo, o que não ocorreu nos últimos anos.

O aumento ocorre em meio a dados que indicam retomada do crescimento do fumo no país. Pela primeira vez em cerca de duas décadas, a prevalence de fumantes subiu, de 9,3% em 2023 para 11,6% em 2024, refletindo alta de 25%. A queda previa chegou a 30% da população, chegando a cerca de 9% em anos anteriores.

Especialistas ressaltam que o cigarro continua barato e que o objetivo é conter o avanço do tabagismo e cobrir custos de saúde públicos. Estima-se que o SUS gaste aproximadamente R$ 98 bilhões por ano com doenças relacionadas ao uso de tabaco, enquanto a arrecadação de impostos cobre apenas cerca de 5% dessas perdas.

O Inca aponta que, sem reajustes consistentes, o Brasil pode perder mais vidas e aumentar custos. Pesquisadores destacam que o preço deve acompanhar não apenas a inflação, mas ser reajustado de forma contínua para frear o consumo e reduzir danos à saúde pública.

O uso de cigarros eletrônicos é citado por especialistas como uma porta de entrada para o tabaco comum, especialmente entre jovens. Médicos alertam sobre casos de lesões pulmonares associadas ao uso de dispositivos de vaporização, reforçando a necessidade de medidas de prevenção mais rigorosas.

A discussão sobre a política de preços e tributos continua. Há propostas para um novo imposto seletivo sobre produtos como o cigarro, mas o texto em avaliação ainda privilegia apenas a inflação. As autoridades ressaltam que ações mais ambiciosas são essenciais para manter o Brasil como referência no controle do tabagismo.

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