- Marcas americanas de luxo, como Ralph Lauren, Coach e The Row, vêm ganhando espaço no mercado, desafiando domínio europeu.
- Ralph Lauren registrou crescimento de 10% na receita nos últimos três meses de 2025 em relação ao ano anterior; Coach cresceu 25% no mesmo período.
- Mudanças estratégicas incluem lojas repaginadas, maior controle de distribuição e foco direto ao consumidor; Coach investe em campanhas com celebridades e personalização de bolsas.
- A busca por estilo preppy e referências aos anos 90 impulsiona as vendas, com aumento de 132% nas buscas por itens específicos da Ralph Lauren no último trimestre de 2025.
- Mesmo com esse dinamismo, o setor segue desafiado globalmente por alta de custos e competição, mantendo a Europa como centro tradicional de luxo.
O mercado de luxo americano está em expansão, com marcas como Ralph Lauren, Coach e The Row registrando crescimento em receita e valor de ações. A força vem de mudanças estratégicas voltadas à experiência do consumidor e à venda direta, em meio a um cenário global de recuperação desigual.
Segundo a The Economist, após o boom pós-pandemia, os gastos em luxo recuaram globalmente nos últimos dois anos. A LVMH divulgou queda de 2% nas vendas de roupas e couro nos primeiros três meses de 2026, marcando o sétimo trimestre consecutivo de redução.
Entre as marcas dos EUA, três aparecem entre as top 10 da plataforma de comparação de moda Lyst. Ralph Lauren, Coach e The Row apresentam crescimento recente, ao contrário das tradicionais marcas europeias que enfrentam desaceleração.
Estratégias de marcas americanas
A Ralph Lauren realizou uma reestruturação de longo prazo, com renovação de linha, maior controle de distribuição e lojas que também funcionam como espaços de convivência, como cafeterias. O CEO de branding, David Lauren, ressalta o apelo do ambiente para o visitante.
Os preços médios de venda da empresa subiram continuamente por quase uma década, acompanhando investimento em marketing superior a 7% das vendas, o dobro do patamar de dez anos atrás. A marca manteve forte presença entre influenciadores.
A Coach adotou uma estratégia semelhante, migrando de shoppings tradicionais para vendas diretas ao consumidor. A marca reduziu dependência de lojas de departamento, investiu em campanhas com celebridades e em bolsas personalizadas para atrair público jovem.
Contexto de desempenho e mercado
A demanda por itens de luxo nos EUA permanece mais resistente que em outras regiões, apesar da queda na Europa e na Ásia. A valorização do euro encarece turistas em cidades como Paris e Milão, favorecendo concorrência interna de marcas americanas.
A faixa de preço entre US$ 200 e US$ 500 é apontada como ideal para bolsas da Coach, segundo a Tapestry. O JPMorgan Chase estima que bolsas europeias ainda custem de 5 a 10 vezes mais que as da Coach, ampliando a atratividade de marcas norte-americanas.
Panorama competitivo e limitações
Apesar do impulso, o cenário não garante domínio norte-americano. Três dos quatro grandes desfiles de moda continuam na Europa, e companhias como Kate Spade e Versace enfrentam desafios. Algumas marcas americanas tiveram fusões contenciosas, com impactos financeiros.
Marcas europeias também buscam retomada de vendas por meio de mudanças criativas, com novos diretores criativos e estratégias de preço mais acessíveis. Ainda que haja avanços, a liderança global no luxo permanece disputada.
Entre na conversa da comunidade