- O Bradesco comprou a participação de 49% que o Banco BV detinha na Tivio Capital, passando a controlar integralmente a gestora criada em agosto de 2022.
- A Tivio encolheu seus ativos sob gestão de R$ 42 bilhões para R$ 32 bilhões, e decidiu concentrar-se em ativos alternativos, mantendo metade do patrimônio em renda fixa.
- A competição no setor de investimentos alternativos aumentou, com players como Patria e Vinci ganhando peso. A Tivio seguirá operando de forma independente, com Rodrigo Freire como CEO.
- O BV exerceu o direito de saída, gesto já previsto nos bastidores devido a atritos entre as partes e divergências de visão sobre distribuição de produtos.
- Nos últimos 12 meses, a Tivio captou líquido R$ 4,1 bilhões; a gestora continua voltada a investidores institucionais e de alta renda, complementando o portfólio do Bradesco em mercados privados.
O Bradesco encerrou a participação de 49% que o Banco BV detinha na Tivio Capital, assumindo o controle total da gestora criada em agosto de 2022. A transação, anunciada na manhã de 20 de abril, marca o fim da joint venture e o encerramento de uma parceria que não atingiu as expectativas de crescimento.
A Tivio vinha enfrentando redução de ativos sob gestão, que saíram de cerca de 42 bilhões de reais para aproximadamente 32 bilhões. A gestora passou a focar mais em ativos alternativos, saindo de multimercado e renda fixa, ainda com metade do patrimônio alocado em renda fixa. A competição em investimentos alternativos ficou mais acirrada.
A operação envolve o Bradesco adquirindo a fatia que cabia ao BV, consolidando a gestão sob o guarda-chuva do banco líder. Rodrigo Freire assume oficialmente o cargo de CEO da Tivio, que permanecerá operando de forma independente, com governança própria, e atendendo investidores institucionais e de alta renda.
Contexto e motivações
Fontes de mercado indicam atritos entre as partes e dificuldades de alinhamento entre a base de clientes do Bradesco, fortemente direcionada à renda fixa, e a estratégia de distribuição de ativos alternativos da Tivio. O BV também via vantagem competitiva na gestão de crédito privado, mas avalia que as condições não eram equivalentes às da Tivio.
A Tivio, por sua vez, reduziu áreas tradicionais como ações e renda fixa para concentrar esforços em crédito privado, real estate, infraestrutura, energia e agro. Com isso, a gestora conseguiu capturar mais capital nos últimos 12 meses, mas ainda não atingiu o mesmo nível de atratividade de outras players no mercado de alternativos.
Situação atual e impactos
Até fevereiro de 2026, segundo dados da Anbima, a Tivio manteve 32 bilhões de reais sob gestão. A aquisição total pelo Bradesco é apresentada pelo banco como parte da estratégia de ampliar atuação em ativos alternativos e estruturas de investimento no Brasil. A Tivio continuará com autonomia decisória e governança próprias.
Segundo o Bradesco, a Tivio seguirá atendendo investidores institucionais e de alta renda, com produtos distribuídos pela própria rede do Bradesco e por outras instituições. A consequência prática é a consolidação da Tivio como braço autônomo sob comando de Freire, mantendo foco em mercados privados. Procurada, a Tivio não comentou.
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