- BRB confirmou acordo para transferir ativos originários do Banco Master à gestora Quadra Capital, no valor total de R$ 15 bilhões.
- Será criado um fundo de investimento para esses ativos; pagamento à vista entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões, com parcela futura entre R$ 11 bilhões e R$ 12 bilhões.
- A Quadra Capital seria a gestora do Fidc, responsável pela cobrança de devedores, inclusive na Justiça; o ganho depende do fluxo de pagamento.
- O BRB enfrenta crise de liquidez e capital após questões com o Master; o balanço de 2025 ainda não foi divulgado, dificultando a avaliação do rombo.
- Entre os ativos, estão recebíveis do Credcesta (estimados em R$ 9 bilhões), além de empréstimos empresariais, imobiliários e ações da Oncoclínicas e da Ambipar.
O BRB (Banco de Brasília) confirmou nesta segunda-feira a assinatura de um acordo com a Quadra Capital para transferir ativos originários do Banco Master, no total de R$ 15 bilhões. A operação prevê a formação de um fundo de investimento para os ativos e pagamento inicial entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões, com parcelas futuras estimadas entre R$ 11 bilhões e R$ 12 bilhões, via contas do fundo e a monetização dos ativos.
Segundo o fato relevante, o BRB seria o maior cotista do Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) ligado ao negócio, com participação que já era ventilada pela imprensa na semana passada. O FIDC contaria com mais de cem investidores e tem o objetivo de destravar recebíveis e créditos originários do Master, segundo fontes com conhecimento do tema.
O movimento ocorre em meio a uma crise de liquidez e capital deflagrada pelo BRB após tentativas anteriores de compra do Master e de aquisições associadas a carteiras fraudulentas envolvendo Daniel Vorcaro. A avaliação inicial apontava R$ 21,9 bilhões em créditos provenientes do Master, mas o montante está sujeito a reavaliação de qualidade, riscos e prazos.
Entre os ativos previstos para o FIDC estão recebíveis do Credcesta, com créditos consignados a servidores públicos, estimados em cerca de R$ 9 bilhões. Também integram o conjunto empréstimos a empresas, ativos imobiliários e ações de empresas como Oncoclínicas e Ambipar.
A gestão do fundo ficará a cargo da Quadra Capital, que atuará na cobrança de devedores, inclusive por vias judiciais. A remuneração da gestora depende de uma participação no retorno do fundo, o que favorece o aumento do fluxo de pagamentos.
O BRB não divulgou o balanço de 2025 até o prazo de 31 de março, segundo a própria instituição, o que mantém incerta a dimensão do rombo associado às operações com o Master. A proposta com a Quadra, discutida há meses, contou com outras partes interessadas que chegaram a ser avaliadas pelo Banco Central.
A Quadra Capital, criada em 2016 e liderada por Nilto Calixto Silva, administra hoje cerca de 39 fundos com aproximadamente R$ 9 bilhões sob gestão. O portfólio inclui, entre ativos, créditos de diversas origens e instrumentos de renda fixa.
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