- Juros futuros fecharam com direções distintas: curtos em alta e longos em leve queda, pressionados pela tensão no Oriente Médio e incertezas sobre o Estreito de Ormuz.
- Preços do petróleo subiram novamente: Brent para julho em US$ 95,42 por barril e WTI para maio em US$ 89,61 por barril.
- No mercado nacional, DI para janeiro de 2027 saiu de 13,88% para 13,91%; DI de janeiro de 2028 subiu para 13,285%; DI de janeiro de 2029 passou a 13,15% e DI de janeiro de 2031 caiu para 13,245%.
- No Focus, as projeções de inflação pioraram e a mediana apontou Selic de 13% ao fim deste ano; IPCA de 2026 subiu para 4,80% e o de 2027 para 3,99%.
- Membros do Banco Central foram citados como cautelosos, destacando calibração da política e espaço para reorientação dos dados antes da próxima reunião do Copom.
Os juros futuros no Brasil operaram sem direção única ao final de ontem, com ajustes distintos entre prazos curtos e longos. As taxas curtas subiram diante de tensões no Oriente Médio e incertezas sobre o Estreito de Ormuz, enquanto as curvas longas recuaram levemente. Os agentes também acompanharam o recuo das expectativas no Focus.
A piora nas projeções dos economistas do Focus apareceu com a mediana estimando uma Selic de 13% ao fim deste ano. No fechamento, o DI para janeiro de 2027 avançou de 13,88% para 13,91%. Já o DI de janeiro de 2028 subiu de 13,245% para 13,285%.
O DI de janeiro de 2029 oscilou de 13,14% para 13,15%, e o DI de janeiro de 2031 recuou de 13,295% para 13,245%. As mudanças refletem expectativas de política monetária mais apertada diante de fatores externos e de inflação.
O fim de semana trouxe novo acirramento entre EUA e Irã, com a apreensão de um cargueiro persa por autoridades americanas. A perspectiva de abertura plena do Estreito de Ormuz ficou em xeque, elevando os preços do petróleo.
O Brent para julho subiu 5,64%, para US$ 95,42 por barril na ICE. O WTI com entrega para maio ganhou 6,87%, para US$ 89,61 por barril, na Nymex. Na sexta, ambos registraram queda superior a 10% com a reabertura momentânea do estreito.
Nesse cenário, os rendimentos dos Treasuries também avançaram, com a T-note de 2 anos subindo de 3,712% para 3,725% nas proximidades do fechamento.
No Brasil, a alta dos juros de curto prazo refletiu as incertezas sobre a trajetória do petróleo e o tom mais contido do Banco Central na semana anterior. Dirigentes estiveram em palestras nos EUA e reiteraram cautela com a inflação.
O Société Générale destacar a fala de Nilton David, diretor de política monetária, sobre cumprir a meta de 3% e tratar o corte de 0,25 ponto na Selic de março como calibração, não início de um ciclo de afrouxamento. Apreciaram que a moeda não envolve desinflação automática.
Segundo o banco francês, Paulo Picchetti, diretor de assuntos internacionais, indicou que a calibração permanece em aberto, com dados que podem reorientar expectativas antes do Copom. A cautela externa influenciou o humor do Focus.
As projeções do IPCA também refletem o ambiente externo. O IPCA 2026 subiu de 4,71% para 4,80%, e o IPCA 2027 passou de 3,91% para 3,99%. A expectativa de Selic, porém, manteve alta para 2026 e 2027.
Entre os componentes, a mediana das projeções de Selic para este ano subiu de 12,5% para 13%, enquanto para 2027 elevou de 10,5% para 11%. As mudanças sinalizam maior HH de juros diante das incertezas globais.
As informações ajudam a entender o cenário de juros curto e de câmbio, diante de pressões inflacionárias e da relação com políticas externas. Assim, o mercado permanece atento a novas sinalizações do Copom.
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