- Lula participou, em Hannover, do Encontro Econômico Brasil-Alemanha e disse que há muito a oferecer em investimentos, preparando o terreno para uma relação Brasil–Alemanha mais intensa.
- O presidente destacou o Brasil como potência em energia limpa e citou o biocombustível brasileiro como o que menos emite CO₂, comparando com outros mercados.
- Criticou normas europeias que criam barreiras ao biocombustível brasileiro e afirmou que é possível desenvolver alimentos e biocombustíveis simultaneamente.
- Reforçou que o acordo UE-Mercosul entra em vigor no dia 1º de maio e pediu apoio do setor privado para transformar a vigência provisória em permanente.
- Defendeu o multilateralismo, ao afirmar que o mundo vive momento conflagrado e que o Brasil está aberto a parceiros que promovam cooperação, democracia e paz.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou do primeiro dia oficial da Hannover Messe, em Hanôver, Alemanha, defendendo o potencial de investimentos no Brasil, com foco na liderança brasileira em energia limpa e biocombustíveis. O encontro ocorreu nesta segunda-feira, durante o Encontro Econômico Brasil-Alemanha.
Lula destacou que o Brasil é referência em energia de baixa emissão e que seu biocombustível tem menor pegada de carbono. Ele comparou o combustível brasileiro com opções europeias e sugeriu que o Brasil pode ampliar a cooperação tecnológica sem prejudicar a produção de alimentos.
O presidente também criticou diretrizes da União Europeia sobre cálculo de carbono e barreiras a biocombustíveis. Segundo ele, as propostas podem dificultar a oferta de energia limpa na Europa, especialmente por desconsiderarem a sustentabilidade do solo brasileiro.
Biocombustíveis e alimentos
Durante a visita aos estandes de empresas brasileiras, Lula afirmou que não há relação entre consumo de alimento e produção de biocombustível. Ele enfatizou que o Brasil observa a segurança alimentar e defendeu o desenvolvimento conjunto de setores de alimento e energia.
Outro ponto abordado foi a necessidade de manter avanços tecnológicos na área de combustíveis. O presidente comentou a importância de investimentos que incentivem inovação sem comprometer a produção de alimentos e a segurança alimentar.
Além disso, Lula ironizou a ausência do premiê alemão na visita aos estandes que exibiam caminhões movidos a biodiesel, ressaltando o potencial praticado pelo Brasil em comparação com a UE.
Tarifas, carbono e acordos
O chefe do Executivo relembrou as regras europeias de cálculo de carbono e a revisão de regulações sobre biocombustíveis. Afirmou acreditar que padrões internacionais mais rígidos podem beneficiar a inovação, desde que respeitem as características brasileiras.
Ele ainda comentou o acordo UE-Mercosul, destacando a importância de manter o apoio ao entendimento para transformar a vigência provisória em permanente. O apelo foi para que setores favoráveis ao acordo atuem de forma mais firme no bloco.
Perspectivas e multilateralismo
Lula afirmou que o mundo vive um momento de tensões, com perspectivas de desbalanceamento entre potências e pequenas economias. O Brasil se posiciona como defensor do multilateralismo, da democracia e da paz, em parceria com a Alemanha e outros países.
A fala ocorreu ao lado do chanceler alemão, Friedrich Merz, com quem o presidente destacou a importância de fortalecer a cooperação estratégica entre Brasil e Alemanha, especialmente em inovação e energia limpa.
Os jornalistas acompanharam o evento a convite da Apex Brasil.
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