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Marcas de luxo apostam no Oriente Médio, mas guerra impede planos

Guerra no Oriente Médio reduz vendas de luxo; marcas realocam estoques e esperam que expatriados e turistas compensem perdas em outros países

Pessoas em frente a loja da Louis Vuitton em Paris, na França
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  • Marcas de luxo, como Louis Vuitton Moet Hennessy (LVMH) e Kering, tentam reduzir impactos da guerra no Oriente Médio transferindo operações para outros mercados.
  • A Zegna Group destacou a transferência de estoques do Oriente Médio para cidades como Londres e Paris, buscando reduzir exposição a regiões voláteis.
  • Executivos esperam que expatriados e turistas que antes viajavam para Dubai, Doha e outras cidades gastem em outros países, mantendo parte da demanda.
  • O turismo na região do Golfo caiu significativamente após o início do conflito, com quedas de demanda de até setenta por cento para algumas marcas.
  • Ainda que haja volatilidade, as empresas veem o Oriente Médio como motor de longo prazo, desde que turismo e fluxos de renda retornem, com planos de expansão e varejo na região.

Quase dois meses de conflito no Oriente Médio atingiram o mercado de luxo, que envolve bolsas, sapatos, joias e demais itens de alto valor. Grey de vendas caiu e as empresas buscam compensar com atuação em outras regiões. Executivos avaliam cenários para manter a demanda.

No Zegna Group, a gestão de estoques já desviou mercadorias para mercados mais estáveis, como Londres e Paris, buscando reduzir riscos. A estratégia visa manter clientes exigentes mesmo com instabilidade regional.

Empresários do setor esperam que expatriados que deixaram Dubai e Manama mantenham gastos em outros países, além de turistas adiando visitas ao Golfo. A ideia é transferir parte do consumo para destinos mais seguros.

O Golfo, que antes impulsionava o crescimento de marcas como Dior, Ferragamo, Moncler e Louis Vuitton, registra queda de turismo. Países do Conselho de Cooperação do Golfo vêm enfrentando resultados baixos de varejo desde o início do conflito.

A LVMH informou queda de demanda em algumas marcas na região, com queda de até 70% em determinados períodos. A empresa mantém vigilância sobre lucros diante da incerteza geopolítica, sem projeções definitivas no curto prazo.

A Kering criou uma unidade de crise para gerenciar operações no Oriente Médio. A rede regional voltou a operar, mas registrou recuo de 11% na receita no último trimestre, com turismo mais afetado que moradores locais.

A Hermès, conhecida por suas bolsas, relatou menor fluxo de compradores de Emirados, Kuwait e Bahrein. Em Paris, as vendas têm ficado mais fracas, refletindo o abalo no turismo regional. Entregas via terceiros foram adiadas em alguns mercados.

Executivos destacam que, mesmo com dificuldades, o Oriente Médio ainda é visto como motor de longo prazo para o luxo. A recuperação depende da retomada do turismo e do retorno de expatriados que consomem em varejo de alta renda.

Intensificando o olhar para o futuro, a Brunello Cucinelli relatou queda de 50% nas vendas no Oriente Médio em março, com lojas permanecendo abertas. A marca planeja ações globais para reconquistar clientes da região.

Para o grupo, o tempo de recuperação envolve não apenas reabertura de lojas, mas restauração do fluxo turístico e do poder de compra mumificado pela guerra, que se estende além das fronteiras do Golfo. A visão é manter o crescimento a longo prazo.

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