- Documentos da Polícia Federal mostram ágio de 2,4 bilhões de reais na venda de ativos do Master ao Banco de Brasília entre julho de 2024 e janeiro de 2025.
- O valor contábil dos ativos era de 7,5 bilhões de reais e o Master os vendeu ao BRB por 9,9 bilhões, registrando ágio de 32% na operação.
- Em algumas carteiras, o ágio chegou a até 93%, com ativos de crédito consignado negociados por valores bem acima do registrado contabilmente.
- As tabelas apreendidas apontam venda de seis tipos de ativos ao BRB: carteiras de crédito consignado, CCBs, CDI, CRIs e créditos do Will Bank.
- A PF indica que o Master precisou de aportes do BRB para manter a liquidez, com mensagens chegando a mencionar o uso de um “depósito compulsório” caso não houvesse aporte.
O Banco Master teria embutido um ágio de 2,4 bilhões de reais na venda de carteiras para o BRB entre julho de 2024 e janeiro de 2025, segundo documentos apreendidos pela Polícia Federal. A operação buscaria manter a liquidez do Master enquanto a venda para o BRB não era formalizada.
Os registros indicam que o valor contábil dos ativos foi de 7,5 bilhões de reais e o BRB teria pago 9,9 bilhões, gerando um ágio de 2,4 bilhões. Em alguns casos, o ágio chegou a 93% em contratos de crédito consignado, com exemplos de ativos vendidos acima do valor de campo. As tabelas revelam múltiplas categorias de ativos envolvidas, incluindo carteiras de crédito consignado, CCBs, CDIs, CRIs e créditos do Will Bank, instituição ligada ao Master na época.
Entre julho de 2024 e janeiro de 2025, as tabelas demonstram operações com o BRB em seis tipos de ativos, registradas pela contabilidade interna do Master. Um documento apreendido pelo menos parcialmente por meio de mensagens enviadas por telefone celular indica que Alberto Félix, então responsável pela tesouraria, participava das negociações com o BRB. A defesa de Félix afirma que ele não possuía poder decisório e atuava apenas na formalização de instrumentos negociados por outros.
A investigação em curso inclui a Operação Compliance Zero, que apura fraudes relacionadas à fabricação de falsas carteiras de crédito consignado pelo Master entre janeiro e maio de 2025. O BRB pagou 12,2 bilhões de reais por essas carteiras, conforme apuração da PF. As informações de 2024 indicam que o BRB teria feito aportes ao Master no valor mínimo de 8,4 bilhões de reais nos seis meses anteriores à venda formal, entre julho e dezembro de 2024.
As investigações não identificaram evidências até o momento de que os ativos vendidos nesse período fossem falsos. No entanto, os diálogos indicam que o ágio pode ter supervalorado ativos e potencialmente impactado a justificativa econômica da transação. A partir de janeiro de 2025, a PF aponta que o Master teria passado a fabricar carteiras falsas para manter o fluxo de pagamentos do BRB.
Procuradas, as defesas dos envolvidos não comentaram de forma direta o conteúdo das investigações. O BRB também não se pronunciou até o momento. O processo segue em curso, com a PF coletando documentos adicionais e investigando as possíveis relações entre as partes envolvidas e os atos de comercialização de ativos.
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