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Mercado projeta inflação de 4,8% e juros mais altos com guerra no Oriente Médio

Guerra no Oriente Médio pressiona inflação a 4,80% neste ano e empurra o mercado a esperar juros mais altos, aponta o Boletim Focus

Pepino se tornou símbolo de inflação na Rússia — Foto: REUTERS/Alexey Malgavko
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  • Com a intensificação da guerra no Oriente Médio, o mercado elevou a projeção de inflação para 4,80% em 2026, ante 4,71% previously.
  • O Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira, baseia-se em pesquisa com mais de cem instituições financeiras.
  • Para 2027, a inflação projetada subiu para 3,99%, enquanto para 2028 permanece em 3,60% e para 2029, em 3,50%.
  • A Selic está em 14,75% ao ano, com expectativa de queda menor em relação à semana anterior; fim de 2026 previsto em 13% ao ano, 2027 em 11% e 2028 em 10%.
  • O mercado também revisou o crescimento do PIB de 2026 de 1,85% para 1,86%, após o IBGE confirmar expansão de 2,3% em 2025.

O mercado financeiro elevou novamente a projeção de inflação para 2026 e manteve a expectativa de juros mais altos, em razão da intensificação da guerra no Oriente Médio. As projeções são publicadas toda segunda-feira pelo Banco Central (BC) com base em pesquisa com mais de 100 instituições financeiras.

Segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda (20), o IPCA estimado para este ano passou de 4,71% para 4,80%. A divulgação utiliza dados obtidos na semana anterior e reflete a percepção do mercado sobre pressões inflacionárias.

A projeção de inflação para 2026 ficou acima do teto da meta de 4,50%, estabelecido pelo regime de metas contínuas. O último boletim anterior foi o primeiro desde maio do ano passado a indicar estouro da meta em 2026. O IPCA de 2025 ficou em 4,26%.

Para 2027, a expectativa subiu de 3,91% para 3,99%, enquanto para 2028 a previsão permanece em 3,60%, e para 2029, em 3,50%. A mudança reflete as incertezas globais e o potencial de persistência de pressões de preços.

Inflação em alta

O BC mantém o foco na inflação com a meta de 3% ao ano, permitindo variação entre 1,50% e 4,50%. A leitura atual aponta para maior volatilidade de preços diante do cenário externo.

O mercado também revisou a estimativa de juros para cima em 2026, apesar da elevação recente da inflação. A taxa Selic, hoje em 14,75% ao ano, deve recuar menos do que em semanas anteriores.

Para o fim de 2026, o mercado espera Selic em 13% ao ano, ante 12,50% na semana anterior. As projeções para 2027 seguem em 11% e para 2028, em 10% ao ano.

Corte dos juros

Mesmo com o ajuste nas perspectivas de inflação, o mercado aposta na tendência de queda gradual dos juros ao longo dos próximos anos, acompanhando o ritmo da atividade econômica e a trajetória da inflação.

Estimativas para o PIB de 2026 passaram de crescimento de 1,85% para 1,86%, segundo o mercado. O IBGE já havia informado que o PIB de 2025 cresceu 2,3%.

Para 2027, a previsão de expansão do PIB permanece em 1,8%. A leitura indica continuidade de recuperação, ainda que com volatilidade influenciada por fatores externos e por políticas macrofiscais.

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