- Emissões de títulos de mercados emergentes em dólares e euros somaram US$ 46 bilhões até sexta-feira em abril, com volumes ~200% maiores que os de abril do ano passado.
- A retomada ocorre após a redução do apetite a ativos de risco no mês anterior, com melhora do sentimento de mercados e expectativa de acordo entre EUA e Irã.
- Em abril, quase US$ 19 bilhões foram captados por empresas desse universo, alta de cerca de 88% frente ao mesmo período de 2023; o total de emissões no ano chegou a US$ 281 bilhões.
- Brasil realizou a maior emissão da história em euros, levantando 5 bilhões de euros; Turquia captou US$ 2 bilhões, com demanda superior a três vezes o ofertado.
- A República Democrática do Congo estreou no mercado com US$ 1,25 bilhão, recebendo ordens quatro vezes maiores; os rendimentos ficaram entre 8,75% e 9,5% nas duas tranches.
Emissões de títulos de mercados emergentes voltaram a ganhar ritmo em abril, com Brasil, Turquia e outras nações captando recursos em dólares e euros. O total já alcança US$ 46 bilhões até sexta-feira, segundo dados da Bloomberg. A melhora ocorre diante de sinais de recuperação nos mercados globais.
A retomada ocorre após pausa no mês anterior, quando a guerra elevou o apetite por ativos de menor risco. Em abril, governanças e empresas aproveitaram a percepção de menor incerteza para emitir títulos com rendimentos superiores aos de emissões existentes. A demanda cresceu com o mercado de ações aquecido.
Mercados emergentes passam a ser o destino preferido de emissores e investidores, impulsionados pela queda de custos de captação e pela esperança de acordo entre EUA e Irã. Analistas apontam que o prêmio de risco em dólares recuou, incentivando novas emissões.
Brasil e Turquia no radar de emissores
O Brasil realizou a maior emissão de sua história em euros, totalizando 5 bilhões, marcando a primeira operação dessa moeda há mais de uma década. Paralelamente, a Turquia captou US$ 2 bilhões, com demanda significativa acima do montante ofertado, gerando prêmio modesto para o país.
Polônia e outros produtores de energia também participaram, com a Polônia captando US$ 6 bilhões e prêmio entre 12 e 15 pontos-base. Em África, a República Democrática do Congo deu entrada no mercado com US$ 1,25 bilhão, atraindo ordens quatro vezes o tamanho da oferta.
Fatores de apoio e perfis de emissor
Investidores aproveitam altos rendimentos relativos aos Treasuries, além do retorno esperado com pendências geopolíticas estabilizadas. Empresas de mercados emergentes, incluindo o Eldik Bank, do Quirguistão, estrearam no mercado de dólares neste mês, ampliando a diversidade de emissores.
Analistas destacam que muitos recursos vieram de caixas abundantes deixados pela liquidação de março, já que gestores alocaram em ativos de maior risco. Segundo economistas, esse movimento tende a continuar se a volatilidade geopolítica permanecer contida.
O total de emissões em 2024 já ultrapassa 20% o nível de igual período do ano anterior, com o volume acumulado no ano chegando a US$ 281 bilhões. Entre os fatores, a robustez de países exportadores de energia e o apetite por renda são citados por especialistas.
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