- Documentos apreendidos pela Polícia Federal apontam ágio de 32% em ativos repassados do Master ao BRB entre julho de 2024 e janeiro de 2025, totalizando R$ 2,4 bilhões acima do valor contábil.
- O valor contábil dos ativos transferidos era de R$ 7,5 bilhões, enquanto o BRB pagou R$ 9,9 bilhões, revelando o sobrepreço pago pela operação.
- A PF investiga a criação de carteiras fictícias de crédito consignado pelo Master, no âmbito da Operação Compliance Zero, com fraudes entre janeiro e maio de 2025; evidências indicam relação financeira anterior com o BRB.
- Conversas apreendidas revelam tentativa de manter aportes do BRB a partir de agosto de 2024 para evitar crise de caixa, com menções a cessão de Cédula de Crédito Bancário (CCB) e continuidade de negociações.
- O anúncio público da compra do Master pelo BRB ocorreu apenas em março de 2025, meses após o banco já ter sido financiado pela instituição pública do Distrito Federal.
Oito: a Polícia Federal aponta que o Master inflou carteiras de crédito antes de vendê-las ao BRB. Estão em jogo valores de bilhões de reais, com irregularidades que teriam ocorrido entre julho de 2024 e janeiro de 2025. A investigação envolve superfaturamento de ativos repassados ao BRB, o banco público do Distrito Federal.
Segundo a PF, os ativos avaliados eram inflados em até 93% em relação ao valor contábil. Os documentos indicam que o BRB já aportou recursos expressivos no Master antes da assinatura de qualquer acordo público de compra. O valor envolvido soma cerca de 8,4 bilhões de reais nos seis meses anteriores à ocorrência das fraudes.
A operação, batizada de Compliance Zero, mira a criação de carteiras fictícias de crédito consignado entre janeiro e maio de 2025. As mensagens apreendidas em celulares de diretores sugerem que o relacionamento com o BRB existia antes da investigação e já mostrava indícios de irregularidades.
Investigação da PF
A PF levantou que, de julho a dezembro de 2024, o BRB pagou 9,9 bilhões de reais pelas carteiras, embora o valor contábil somasse 7,5 bilhões. O sobrepreço atingiu 2,4 bilhões de reais, conforme tabelas internas obtidas pelo jornal O Estado de S. Paulo.
Relatos de conversas indicam que Vorcaro buscava apoio financeiro do BRB para enfrentar uma crise de caixa desde agosto de 2024. Em mensagens, ele mencionou a possibilidade de recorrer ao depósito compulsório caso não obtivesse os recursos necessários.
Entre os contatos, houve referência a uma Cédula de Crédito Bancário que estaria em negociação com o BRB. A troca de mensagens sinalizou que houve confirmação de uma cessão, com expectativa de formalização em breve.
O material analisado pela PF inclui dados de seis categorias de ativos retirados do Master e repassados ao BRB, entre julho de 2024 e janeiro de 2025. Dentre os itens estavam carteiras de crédito consignado, dois tipos de CCBs, CDI, CRI e créditos do Will Bank, fintech vinculada ao Master na época.
A defesa de um dos membros mencionados sustenta que a pessoa não possuía poder decisório e atuava apenas para reportar transações negociadas por outros. As autoridades reforçam que os documentos indicam envolvimento de diversas frentes na operação.
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