- O mercado de renda fixa digital cresce com recebíveis tokenizados, que permitem transformar recebíveis em ativos digitais para captar recursos, principalmente para empresas de pequeno e médio porte.
- Em dois mil e vinte e cinco, mais de oitenta por cento das emissões, acima de três bilhões de reais, ficaram no segundo semestre; em dois mil e vinte e seis, o volume pode chegar a sete bilhões, com crescimento anual entre quarenta e cinquenta por cento.
- A promessa de retornos maiores esbarra em riscos: a facilidade de distribuição pode mascarar problemas de lastro e estruturas menos padronizadas.
- A regulação avança, com a CVM avaliando ampliar limites de captação e ajustar regras para maior liquidez; hoje não existe um mercado secundário estruturado, apenas negociações limitadas entre interessados.
- especialistas orientam iniciar por ativos mais próximos do mercado tradicional e considerar, antes da rentabilidade, a qualidade do lastro, crédito e estrutura da operação; token não garante segurança integral.
O mercado de renda fixa digital avança no Brasil, impulsionado pela tokenização de recebíveis. Empresas convertem créditos a receber em ativos digitais para captar recursos, ampliando o acesso ao mercado de capitais. A promessa é de retorno maior, com mais eficiência.
Especialistas alertam para que o investidor não se deixe levar apenas pela rentabilidade anunciada. A facilidade de distribuição pode ocultar riscos, com estruturas e garantias menos padronizadas que no mercado tradicional.
O que mudou e quem está envolvido
A adoção cresce pela possibilidade de fontes menores captar recursos diretamente de investidores, sem depender de bancos. Plataformas como Tokeniza e MB destacam rapidez na estruturação, com prazos que, em alguns casos, ficam abaixo de dois meses.
Entidades do setor ressaltam que o token não é o ativo, e sim o instrumento jurídico que formaliza a emissão. Investidores ganham variedade de opções, mas precisam avaliar a qualidade do lastro e as garantias associadas a cada operação.
Risco e lastro
O lastro pode variar bastante e nem sempre há uma estrutura sólida para assegurar o cumprimento dos direitos. Advogados destacam a dificuldade de classificação de ativos tokenizados, o que gera dúvidas sobre o que está sendo comprado.
A falta de padronização e de enquadramento claro pode expor investidores a riscos não percebidos, especialmente em projetos com ativos menos tradicionais, como recebíveis específicos ou royalties artísticos.
Regulação em evolução
A CVM reconhece as lacunas e discute mudanças no modelo. Hoje predomina a Resolução 88, que regula crowdfunding no mercado de capitais, com limites de captação e de investimento para não qualificados, além de exigência de informações sobre riscos.
Não há mercado secundário estruturado para esse tipo de ativo, o que limita a liquidez. A CVM trabalha em consulta pública para ampliar limites de captação e adequar o regime às emissões tokenizadas, com foco em maior liquidez.
Caminho para amadurecimento
Especialistas recomendam começar por ativos próximos ao mercado tradicional, como CCBs, antes de avançar para operações mais complexas. A análise deve priorizar o lastro, a qualidade do crédito e a estrutura da operação, não apenas a rentabilidade.
O consenso é de que a tokenização não elimina riscos, apenas muda sua forma de apresentação. O investidor precisa entender a essência do ativo e a governança envolvida para evitar armadilhas no mercado em construção.
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