- A BBC identificou um padrão de picos de movimentação nos mercados horas, ou até minutos, antes de anúncios públicos de Donald Trump.
- Em 9 de março de 2026, houve forte apostas no petróleo antes de Trump dizer, em entrevista, que a guerra no Irã estava praticamente concluída; o preço do petróleo caiu cerca de 25% após a divulgação.
- Em 23 de março de 2026, Trump divulgou sobre uma “resolução completa e total” das hostilidades com o Irã; houve apostas altas antes da publicação e o petróleo Brent recuou logo após, caindo de pouco acima de US$ 113 para US$ 97.
- Em 9 de abril de 2026, durante o “Dia da Libertação” e a pausa nas tarifas, o mercado de ações disparou após o anúncio; houve volume incomum de apostas antes do comunicado e lucro expressivo para alguns operadores.
- Plataformas de mercados de previsão, como Polymarket e Kalshi, já receberam atenções por suspeitas de uso de informação privilegiada; a SEC e a Casa Branca foram procuradas para comentar, sem confirmação de irregularidades até o momento.
Durante o segundo mandato de Donald Trump, iniciando em 2025, operadoras do mercado registraram movimentações expressivas pouco antes de anúncios do presidente que impactam os preços. A BBC analisou volumes de negociações em diversos mercados e cruzou com declarações de Trump com potencial de influência.
A investigação identificou picos de atividade que ocorrem horas, ou até minutos, antes de publicações em redes sociais ou entrevistas públicas. Para alguns analistas, há indícios de uso de informação privilegiada; para outros, o cenário pode refletir investidores mais ágeis que antecipam movimentos sem depender de informações confidenciais.
A BBC destacou cinco episódios como os mais significativos. Em 9 de março de 2026, no 9º dia de conflito entre EUA e Israel contra o Irã, Trump disse à CBS News, por telefone, que o conflito estava quase concluído. Horários de negociação mostram pico de apostas no petróleo às 18h29 GMT, seguida pela entrevista às 19h16 e queda de 25% no preço do petróleo às 19h17.
No dia 23 de março de 2026, Trump publicou que havia mantido “conversas muito boas e produtivas” com o Irã sobre uma resolução das hostilidades. Às 10h48-10h50 GMT ocorreu forte aumento de apostas na queda do petróleo, e às 11h04 Trump postou sobre a suposta resolução, com queda de 11% no Brent às 11h05. Bolsas subiram após o anúncio.
Em 9 de abril de 2026, durante o episódio do “Dia da Libertação” após uma pausa de tarifas anunciada menos de uma hora antes, houve novo surto de apostas antes do pronunciamento. Às 17h00 GMT começaram apostas altas no mercado, e às 17h18 o anúncio de pausa gerou alta histórica nas ações. Alguns operadores investiram mais de US$ 2 milhões, com lucro potencial próximo de US$ 20 milhões.
Entre 3 e 2 de janeiro de 2026, a trajetória envolveu a captura de Nicolás Maduro. Uma conta na plataforma de previsão Burdensome-Mix apostou na saída do venezuelano até o fim de janeiro; no dia seguinte, Maduro foi capturado, garantindo ganho de US$ 436 mil. A conta mudou de nome posteriormente e não operou mais.
Também houve movimentação relevante em fevereiro de 2026, com contas da Polymarket apostando que ataques ao Irã ocorreria até 28 de fevereiro. Quando a ofensiva foi confirmada, as contas somaram cerca de US$ 1,2 milhão em ganhos, segundo a análise da Bubblemaps. Uma das contas teria lucrado com um cessar-fogo anunciado em abril.
As plataformas de previsão, como Polymarket e Kalshi, estão sujeitas à jurisdição da CFTC. Em março, as próprias empresas anunciaram regras para coibir uso inadequado de informação privilegiada. A CFTC afirmou ter tolerância zero com fraude e uso indevido de informações, segundo seus representantes em comitês do Congresso.
A BBC destaca ainda que houve apurações sobre a possível participação de autoridades do governo, e a Casa Branca foi questionada sobre as alegações; o governo não forneceu comentários formais. Em dezembro de 2025, uma conta da Polymarket iniciou apostas sobre Maduro, com ganhos significativos após os eventos.
Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que, embora fontes de informação privilegiada possam ser difíceis de rastrear, a aplicação da legislação nesse contexto é desafiadora. Observadores ressaltam que, até o momento, não houve processos formais com base nessas acusações.
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