Em Alta Copa do Mundo NotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Bets contribuem mais para endividamento das famílias do que juros, aponta estudo

Apostas já são principal fator de endividamento familiar no Brasil, excedendo juros e crédito, conforme estudo do Ibevar e FIA

Bets já exercem pressão maior sobre o endividamento familiar do que juros elevados e expansão do crédito, aponta estudo. (Foto: Fernando Jasper/Gazeta do Povo)
0:00
Carregando...
0:00
  • Em 2025, apostas online chegaram a 26,4 bilhões de acessos e faturaram 50,9 bilhões de reais, tornando-se o segundo destino mais visitado da internet no Brasil, após o Google.
  • O estudo aponta que as bets já são o principal fator de endividamento familiar, com cada aumento de um ponto percentual em apostas associado a 0,23% a mais de endividamento.
  • Quase metade da renda dos brasileiros está comprometida com dívidas em instituições financeiras, subindo de 39% em janeiro de 2019, antes da legalização das apostas online.
  • O gasto médio dos jovens usuários (20 a 30 anos) fica em torno de 100 reais mensais; entre quem tem mais de 60 anos, supera 3 mil reais por mês.
  • O governo arrecadou 8,82 bilhões de reais com jogos de azar de janeiro a novembro de 2025, mas a possibilidade de ilusão fiscal é discutida, já que migração de capital pode reduzir impostos sobre ganhos de investimento.

Quase metade da renda dos brasileiros está comprometida com dívidas em instituições financeiras, segundo o Banco Central. Em janeiro de 2019, antes da legalização das apostas online, esse índice era de 39%. O recorte atual aponta para o peso das bets no endividamento familiar.

Um estudo do Ibevar em parceria com a FIA Business School aponta que as apostas já são o principal fator associado ao endividamento. O impacto é quase o dobro do observado com juros altos e com o crédito.

Para cada aumento de 1% nas apostas, o endividamento cresce 0,23%. Especialistas destacam que o número sinaliza um novo risco de crédito, acima dos fatores de mercado tradicionais.

Escala e perfil do fenômeno

O mercado de bets no Brasil cresceu após a legalização em 2019. Em 2025, houve 26,4 bilhões de acessos a sites de apostas e faturamento de 50,9 bilhões de reais, conforme a plataforma Aposta Legal.

O segmento figura como o segundo principal destino da internet brasileira, atrás apenas do Google. Em quatro anos, o interesse no tema subiu mais de dez vezes, segundo o presidente do Ibevar, Claudio Felisoni de Angelo.

Um estudo do BC, pedido pelo Senado, traça o perfil dos apostadores: a faixa de 20 a 30 anos concentra a maior parte. O gasto médio nessa faixa é de cerca de 100 reais mensais, enquanto pessoas acima de 60 anos registram gasto superior a 3 mil reais por mês.

Experiência externa como referência

Estudos nos Estados Unidos mostram que a legalização das apostas esportivas, em 2018, mudou o comportamento financeiro. De 2019 a 2025, o volume apostado cresceu de 1,1 bilhão para 13,8 bilhões de dólares mensais.

O relatório técnico de Ibevar e FIA aponta que, nos EUA, a substituição de investimentos por apostas é prática perceptível. A cada dólar investido em apostas, há perda de cerca de 20 centavos em depósitos de corretoras.

Impactos no orçamento e no crédito

Segundo Felisoni, as apostas disputam espaço no orçamento familiar e reduzem depósitos em investimentos, aumentando a dependência de crédito para despesas correntes. O estudo ressalta o caráter macroeconômico do fenômeno, com efeitos no médio e longo prazo.

O estudo do BC, citado no material, aponta um impacto relevante em beneficiários do Bolsa Família. Em agosto de 2024, 5 milhões de beneficiários apostaram, transferindo 2 bilhões de reais para plataformas, o que equivale a 1% do orçamento anual do programa.

Arrecadação e nuances fiscais

Entre janeiro e novembro de 2025, a Receita Federal registrou 8,82 bilhões de reais em arrecadação com jogos de azar e apostas. Pesquisadores lembram que esse ganho pode ser parcialmente compensado pela redução de tributos sobre ganhos de investimento.

Essa dinâmica sugere que ganhos imediatos com a cobrança não necessariamente se traduzem em melhora fiscal de longo prazo. Estudo aponta possível aumento de custos públicos relacionados a saúde mental e programas de proteção ao consumidor.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais