- Alemanha reduz suas previsões de crescimento para 2026 em 0,5% e para 2027 em 0,9%.
- A inflação é projetada em 2,7% para este ano e 2,8% em 2027, acima de 2,2% de 2025.
- A guerra no Irã eleva preços de energia e matérias-primas, pressionando famílias e a economia.
- Não deve haver crescimento das exportações até 2027 (1,3%), enquanto as importações devem subir 1,8% em 2027, reduzindo o superávit.
- O governo pode emitir 2,70 bilhões de euros adicionais para o orçamento de 2027; a ministra planeja viagem à China em maio para tratar de comércio.
A Alemanha reduziu, nesta quarta-feira, as previsões de crescimento para 2026 e 2027 e elevou a projeção de inflação, com o foco nas pressões geradas pela guerra no Irã que afetam preços de energia e matérias-primas. O ajuste foi divulgado pelo Ministério da Economia.
O governo passou a esperar expansão de 0,5% em 2026, frente a 1,0% previsto anteriormente, e 0,9% em 2027, ante 1,3%. A ministra da Economia, Katherina Reiche, disse que a economia segue em recuperação modesta, mas com ventos contrários mais fortes no curto prazo.
A inflação deve subir, segundo as novas estimativas: 2,7% neste ano e 2,8% em 2027, acima dos 2,2% registrados em 2023. A ministra ressaltou que o desempenho futuro depende do desenvolvimento do conflito no Oriente Médio.
Previsões e fatores que pesam
Além da guerra no Irã, as autoridades destacam dificuldades no comércio internacional, com medidas protecionistas e fragmentação econômica que impactam as exportações alemãs. Não se espera crescimento anual das exportações até 2027, com alta prevista de 1,3%.
As importações devem crescer mais, estimadas em 1,8% em 2027, o que reduziria o superávit comercial do país. A economia alemã vem enfrentando desgaste desde a pandemia, com competição acirrada da China e custos de energia elevados.
Reiche informou planejar viagem à China em maio para tratar de questões comerciais. O país mantém o foco em reformas estruturais para sustentar o crescimento, mesmo com estímulos fiscais em curso.
A política fiscal também foi ajustada: diante das perspectivas revisadas para baixo, o governo pode emitir até 2,70 bilhões de euros adicionais para o orçamento de 2027. O ministro das Finanças, Lars Klingbeil, vê a conclusão da primeira versão do orçamento no fim deste mês.
A recuperação é impulsionada pela demanda interna, conforme apontou a ministra. O consumo privado deve manter o suporte, com crescimento nominal entre 3,2% (2026) e 3,3% (2027), e ganho real próximo de 0,4% em 2026 e 0,5% em 2027.
Gastos públicos, especialmente em infraestrutura e defesa, devem contribuir para a recuperação, com aumento nominal de 5,2% neste ano, equivalente a 2,0% ajustados pela inflação. Reiche defende medidas para aliviar o preço da energia, ainda que reconheça limitações.
A ministra ressaltou que a Alemanha está próxima de lugares baixos no ranking de crescimento da UE, mesmo com estímulos. Ela mencionou que o problema é em grande parte estrutural e defendeu reformas amplas para elevar a competitividade, reduzir impostos e reduzir custos de energia.
Entre na conversa da comunidade