- O chefe do Fórum dos Países Exportadores de Gás alertou que a guerra com o Irã pode tornar a queda da demanda por gás estrutural se o conflito persistir.
- Segundo a entidade, desde o fim de fevereiro foram retirados do mercado global mais de 500 milhões de barris de petróleo bruto e condensado, a maior interrupção de energia da história moderna.
- Países dependentes do Golfo passaram a queimar carvão e acelerar a transição para energias renováveis como resposta de curto prazo.
- Em 2026, o setor pode passar de um mercado de gás apertado para cenário de excesso de oferta, mas não está claro se é atraso ou mudança estrutural permanente.
- Produtores africanos podem ocupar espaço deixado pelas interrupções no Oriente Médio, mas muitos não produzem em plena capacidade, abrindo oportunidade para produtores americanos na Europa e na Ásia.
A guerra com o Irã pode provocar uma destruição sistêmica da demanda por gás, segundo o chefe do Fórum dos Países Exportadores de Gás. Philip Mshelbila fez a avaliação nesta quarta-feira, na conferência Invest in African Energy, em Paris. A análise aponta que o conflito já altera o equilíbrio global de gás, com efeitos de curto e potencialmente estruturais.
Dados apresentados indicam que, desde o início da crise no fim de fevereiro, o mercado global retirou mais de 500 milhões de barris de petróleo bruto e condensado, conforme a Kpler. Esse movimento representa a maior interrupção já registrada no fornecimento de energia. Países do Golfo adotaram medidas para mitigar impactos, aumentando o uso de carvão e acelerando a transição para renováveis.
Mshelbila destacou que 2026 deve ser um ano-chave, com o mercado de gás, até então apertado, evoluindo para um cenário de excesso de oferta. A mudança depende, segundo ele, da duração do conflito e das respostas de políticas energéticas globais. A avaliação coloca em risco o equilíbrio entre produção, preço e demanda.
Desertificação de oportunidades para África
O dirigente afirmou que produtores africanos de gás perdem espaço deixado pelas interrupções no Oriente Médio e pelas restrições de transporte pelo Estreito de Hormuz. Em sua visão, muitos países africanos têm capacidade excedente em GNL e gás por gasodutos, mas não operam em plena capacidade.
Segundo Mshelbila, produtores estadunidenses já capturam mercados na Europa e na Ásia. Ele explicou que, em crises, há uma oportunidade de preencher o espaço perdido, porém a produção upstream insuficiente impede a inclusão rápida dessas vias. As reservas existem, mas permanecem subutilizadas.
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