- A pesquisadora associada da FGV Ibre, Katherine Henning, aponta que o endividamento é mais intenso entre famílias de baixa renda.
- Modalidades de crédito sem garantia com juros altos, como cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal não consignado, acabam comprometendo o orçamento familiar.
- O problema não é o crédito em si, mas o uso inadequado, aliado à falta de planejamento e de conhecimento sobre as opções disponíveis.
- O crédito pode ser positivo quando houver planejamento financeiro e gestão adequada, segundo a pesquisadora.
- Educação financeira é defendida como solução de longo prazo para reduzir o endividamento e evitar impactos macroeconômicos.
O que aconteceu: uma pesquisadora associada do FGV Ibre aponta que o endividamento das famílias brasileiras é mais intenso entre as camadas de baixa renda, impulsionado por crédito sem garantia e juros elevados. A afirmação foi feita em entrevista nesta quarta-feira (22).
Quem está envolvido: a especialista citada é Katherine Henning, pesquisadora associada do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas. Ela destaca que o problema se agrava nas classes mais pobres por causa das modalidades de crédito com taxa alta.
Quando e onde: a análise foi apresentada durante entrevista ao CNN Money, em 22 de março, no contexto brasileiro. O foco é o impacto do endividamento no orçamento familiar diante da inflação e do crédito disponível.
Por que ocorre: segundo Henning, o desafio não é o crédito em si, mas o uso inadequado. Falta de planejamento e desconhecimento sobre modalidades elevam o risco de juros abusivos em produtos como cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal não consignado.
Quais são as armadilhas: o cartão de crédito, quando não pago integralmente, acumula juros elevados. O cheque especial e o crédito pessoal não consignado aparecem como possibilidades de rolagem de saldo com custos altos.
Impactos e perspectivas: a pesquisadora ressalta que o crédito pode favorecer planos de médio e longo prazo, desde que haja educação financeira e planejamento adequado. A disponibilidade de crédito não é, por si, negativa.
Educação financeira como solução
A especialista defende a educação financeira como ferramenta para reverter o cenário de endividamento. O objetivo é que famílias aprendam a gerenciar rendimentos, gastos e investimentos com mais clareza.
Ela reforça que governos também precisam gerir contas públicas com rigor, para que as famílias ganhem em previsibilidade econômica. A educação financeira deve acompanhar esse processo de gestão cotidiana.
Entre na conversa da comunidade